Posts Tagged ‘Lenda’

LENDA DA CASA DA MOURA ZAIDA

14/03/2009

Na serra de Sintra, perto do Castelo dos Mouros, existe uma rocha com um corte que a tradição diz marcar a entrada para uma cova que tem comunicação com o castelo. É conhecida pela Cova da Moura ou a Cova Encantada e está ligada a uma lenda do tempo em que os Mouros dominavam Sintra e os cristãos nela faziam frequentes incursões. Num dos combates, foi feito prisioneiro um cavaleiro nobre por quem Zaida, a filha do alcaide, se apaixonou.

Dia após dia, Zaida visitava o nobre cavaleiro até que chegou a hora da sua libertação, através do pagamento de um resgate. O cavaleiro apaixonado pediu a Zaida para fugir com ele mas Zaida recusou, pedindo-lhe para nunca mais a esquecer. O nobre cavaleiro voltou para a sua família mas uma grande tristeza ensombrava os seus dias. Tentou esquecer Zaida nos campos de batalha, mas após muitas noites de insónia decidiu atacar de novo o castelo de Sintra.

Foi durante esse combate que os dois enamorados se abraçaram, mas a sorte ou o azar quis que o nobre cavaleiro tombasse ferido. Zaida arrastou o seu amado, através de uma passagem secreta, até uma sala escondida nas grutas e, enquanto enchia uma bilha de água numa nascente próxima para levar ao seu amado, foi atingida por uma seta e caiu ferida. O cavaleiro cristão juntou-se ao corpo da sua amada e os dois sangues misturaram-se, sendo ambos encontrados mais tarde já sem vida.

Desde então, em certas noites de luar, aparece junto à cova uma formosa donzela vestida de branco com uma bilha que enche de água para depois desaparecer na noite após um doloroso gemido…

Fonte: Site Lendas de Portugal

LENDA DA MOURA DOS PÉS DESCALÇOS

21/02/2009

Há uma lenda pouco conhecida que conta uma história que dizem ter acontecido no interior algarvio, na zona da Serra do Caldeirão.

Antes do nascer do sol, numa manhã de S. João, um pastor que andava por um vale viu uma formosa donzela sentada no gargalo de um poço, que lhe acenou. Ele aproximou-se. Perguntou-lhe o que fazia ali sentada àquela hora da manhã e ela, batendo os pés descalços na água, disse-lhe que estava à espera de quem lhe trouxesse os seus sapatos, para poder regressar ao seu país.

Em contrapartida, quem lhe levasse os sapatos seria grandemente recompensado e, parando de bater os pés, retirou da parede do poço atrás das suas pernas duas grandes esmeraldas que mostrou ao pastor. “Onde estão os teus sapatos?” perguntou-lhe o homem já só vendo as esmeraldas na sua frente. “Isso terás tu de descobrir. Mas será no ano que vem, pois agora tenho de me ir embora”. Respondeu-lhe a donzela e, antes do sol começar a aparecer por cima do horizonte, saltou para dentro do poço e desapareceu como num passe de magia.

O homem ainda procurou as jóias, mas não as encontrou. Foi para casa muito perturbado e contou à mulher o que lhe acontecera. Esta aconselhou-o a, no ano seguinte, levar uns sapatos seus. O homem assim o fez. Quando chegou ao poço já a donzela lá estava a bater os pés na água. Ela disse-lhe o mesmo que no ano anterior e voltou a mostrar-lhe as jóias. O pastor deu-lhe os sapatos que levava, mas ela recusou-os dizendo que não eram os seus. O homem insistiu, mas de nada adiantou. Por fim, rendido, voltou a perguntar-lhe onde estavam os seus sapatos, mas a donzela não respondeu, apenas parou de bater os pés e ficou longamente a olhar para a água. O homem irritou-se, pois o céu estava a clarear e ela não lhe respondia. Voltou a perguntar uma e outra vez, mas a donzela mantinha-se imóvel a olhar para a água do poço. O pastor não queria ter de esperar mais um ano para ter as suas esmeraldas. Assim, puxou a moura para fora do poço para lhe poder roubar as esmeraldas antes que desaparecessem com ela ao nascer do sol. Mas, no momento em que os seus pés saíram da água começaram a desfazer-se em salpicos de água e, em pouco tempo, todo o seu corpo se desfez em água na frente do homem.

Este, perturbado, procurou as jóias onde ela estava sentada, mas não as encontrou, acabou por destruir todo o gargalo à procura das jóias, mas não as encontrou. Por fim, cansado, debruçou-se sobre a água para beber um pouco e foi quando viu dois sapatinhos verdes alinhados no fundo do poço. Diz quem lá vive que nas manhãs de S. João ainda é possível ver os sapatos verdes no fundo do poço, esperando pelo regresso da sua dona.

Autor: IS

LENDA DA MOURA ENCANTADA DE ALFACE

24/01/2009

Esta é uma história que já contavam os avôs dos meus avôs e aconteceu no lugar de Alface, na freguesia de Estoi.

Um dia, um homem, passeava por um campo onde só floresciam pedrinhas, pedras e pedregulhos. Contudo, para seu grande espanto, viu uma pequena planta quase sem folhas, com um ar muito frágil e quebradiço, a desabrochar numa pequena fenda no topo de uma grande rocha. Trepou pela rocha para ver melhor a planta e sentiu a necessidade de lhe tocar. Nesse instante, ouviu uma voz feminina que parecia sair do pequeno tronco que agora tremia, apesar de não haver vento: “Alimenta-me e acarinha-me durante um ano. Fala só para mim e para mais ninguém, dá-me leite todos os dias e alguns dias o teu sangue e logo serás recompensado”.

O homem, muito assustado, saiu dali a correr, mas a voz parecia segui-lo, continuava a ouvir aquelas palavras por mais que se afastasse. Os dias passaram, mas a voz permanecia latejante na sua cabeça, nem a dormir tinha descanço. Estava a dar em doido! Por fim, decidiu fazer o que a voz lhe pedia. Assim, um dia levou um púcaro de leite e foi ao campo pedregoso onde vira a planta. Não teve dificuldade em encontrar a rocha, mas a planta não passava de uma tosca haste quase seca. Pensou que já seria tarde demais, mas como tinha ido até ali, deitou o leite sobre ela e foi-se embora. Mas, a partir do momento em que despejou o leite sobre a planta deixou de ouvir a voz.

No dia seguinte estava curioso com o que teria acontecido à plantinha e foi ao local. Para seu grande espanto esta estava erecta, verde e viçosa. Disse-lhe algumas palavras e a planta estremeceu, como que a responder-lhe. Continuou a falar com a planta e esta parecia reagir ao som da sua voz. Lembrando-se de todas as tarefas qe a voz lhe confiara, levou a mão ao bolso e tirou um pequeno canivete, fazendo com ele um golpe no pulso e deixou correr algum sangue para a fenda onde estava a planta. A partir desse dia não voltou a falar.

O tempo foi passando e o homem todos os dias ia falar com a planta, levava-lhe leite e por vezes oferecia-lhe um pouco do seu sangue, como lhe fora pedido. A planta foi-se desenvolvendo e transformou-se muito rapidamente numa bela árvore. Com o engrossar do tronco a fenda onde ela crescia ia-se alastrando e alargando. O homem deixou de ir ao local para satisfazer a sua curiosidade sobre a planta e passou a ir lá porque se sentia feliz a falar com a árvore e achava realmente que ela o ouvia.

Um dia, quando chegou, viu a grande pedra partida ao meio e a árvore havia desaparecido. No seu local estava uma bela mulher de longos cabelos negros que lhe falou: “ Não me procures mais, pois aqui estou, o ano passou e o encanto quebrou. Agora diz-me qual a coisa que te irá fazer mais feliz e ela será-te concedida.” O homem pensou, voltou a pensar e, por fim, respondeu-lhe: “Podia escolher ouro, rubis, prata, terras a perder de vista, ou gado sem fim, mas nada disso me faria tão feliz como fui neste ano em que só com uma planta falei. Assim, quero que o tempo volte para trás e com a minha planta quero falar.”

“Isso não te posso dar, pois do tempo não sou senhora, mas agora comigo podes falar e responder já te poderei”.

“Assim minha senhora serás, pois o tempo não volta atrás”.

Autor: IS

LENDA DAS AMENDOEIRAS EM FLOR

03/01/2009

Há muito tempo, antes da independência de Portugal, quando o Algarve pertencia aos mouros, havia ali um rei mouro que desposara uma rapariga do norte da Europa, à qual davam o nome de Gilda.

Era encantadora essa criatura, a quem todos chamavam a “Bela do Norte”, e por isso não admira que o rei, de tez cobreada, tão bravo e audaz na guerra, a quisesse para rainha.

Apesar das festas que houve nessa ocasião, uma tristeza se apoderou de Gilda. Nem os mais ricos presentes do esposo faziam nascer um sorriso naqueles lábios agora descorados: a “Bela do Norte” tinha saudades da sua terra.

O rei consegui, enfim, um dia, que Gilda, em pranto e soluços, lhe confessasse que toda a sua tristeza era devida a não ver os campos cobertos de neve, como na sua terra.

O grande temor de perder a esposa amada sugeriu, então, ao rei uma boa ideia. Deu ordem para que em todo o Algarve se fizessem plantações de amendoeiras, e no princípio da Primavera, já elas estavam todas cobertas de flores.

O bom rei, antevendo a alegria que Gilda havia de sentir, disse-lhe:

- Gilda, vinde comigo à varanda da torre mais alta do castelo e contemplareis um espectáculo encantador!

Logo que chegou ao alto da torre, a rainha bateu palmas e soltou gritos de alegria ao ver todas as terras cobertas por um manto branco, que julgou ser neve.

- Vede – disse-lhe o rei sorrindo – como Alá é amável convosco. Os vossos desejos estão cumpridos!

A rainha ficou tão contente que dentro em pouco estava completamente curada. A tristeza que a matava lentamente desapareceu, e Gilda sentia-se alegre e satisfeita junto do rei que a adorava. E, todos os anos, no início da Primavera, ela via do alto da torre, as amendoeiras cobertas de lindas flores brancas, que lhe lembravam os campos cobertos de neve, como na sua terra.


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