PLACA TOPONIMICA EM HOMENAGEM A “HÉLDER DE AZEVEDO”

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No dia 7 de Setembro, comemora-se o dia do Município de Faro que em 1540 foi elevada a cidade. De entre as diversas cerimónias oficiais há o descerramento de três placas toponímicas, onde um dos homenageados é o meu avô, Hélder de Azevedo, com uma Praça em Gambelas.

Aproveito esta ocasião, até porque nunca foi publicado ou divulgado, para deixar aqui registado uma curta biografia de Hélder de Azevedo.

De nome completo Hélder Cavaco de Azevedo, filho do conhecido jornalista algarvio e professor Cruz de Azevedo e da professora primária Maria da Circuncisão Alves Cavaco de Azevedo, nasceu em Faro a 26 de Novembro de 1922, onde frequentou o Liceu local.

Em 1930, descerrou em nome das crianças das Escolas Primárias de Portugal, o monumento em homenagem ao poeta e pedagogo João de Deus, mandado erigir por seu pai, Cruz de Azevedo, no Jardim Manuel Bivar em Faro.

Casou-se em 1944 com Laura dos Santos Sousa de Azevedo e do seu matrimónio nasceram dois filhos, ambos residentes na capital algarvia.

Em 1943 ingressa no Exército e em 1949 segue para Angola, onde é convidado a dirigir o Gabinete Fotográfico e Cinematográfico do Quartel-General em Luanda. Simultaneamente estabelece-se com fotografia naquela cidade, tendo-lhe sido adjudicado todo o trabalho fotográfico relacionado com a 1ª Feira das Indústrias de Luanda e os mesmos expostos depois na cidade de Bulawayo na Rodésia.

Regressado a Portugal estabeleceu-se de novo em Faro e depois também em Tavira, com o ramo fotográfico. Concorre então a diversos Concursos Internacionais de Fotografia onde obtém 1ºs, 2ºs e 3ºs lugares e diversas Menções Honrosas, que lhe conferem o estatuto de fotografo prestigiado e de renome internacional passando a ser fornecedor da maior parte dos grandes jornais nacionais e estrangeiros, destacando-se entre eles o New York Times, sendo também convidado para participar na 3ª Bienale de Fotografia e Cinema realizado em Paris, pela UNESCO. Para além de fotografia também executa trabalhos na área do cinema, produzindo alguns documentários para a Tobis e depois para a RTP sobre as pescas e outros traços da etnografia algarvia, não deixando também de filmar as belezas naturais que estiveram na base do arranque do turismo na região algarvia.

Em 20 de Julho de 1968 funda no seu estabelecimento em Faro, situado na Rua D. Francisco Gomes, nº 30, o seu próprio Museu Etnográfico tendo recebido inúmeros visitantes, destacando-se o Rei Humberto da Itália e restante família real aquando da sua visita a Portugal e à região do Algarve.

Colaborou em diversas revistas e publicações entre elas o “Algarve Ilustrado”, os “Anais do Município de Faro” e a Revista “Elos da Comunidade Lusíada”, desempenhando nesta última as funções de Director.

Muitos dos seus trabalhos encontram-se expostos em diversos Museus Etnográficos do País e muito em especial no de Faro, onde é único expositor com centenas de fotografias, sendo com Carlos Porfírio um dos seus fundadores (museu actualmente encerrado).

Forneceu também diversos Consulados de Portugal, entre os quais o de Sevilha, com belas fotografias em grande formato, sobre motivos regionais algarvios.

Dedica-se depois ao jornalismo e rádios locais, onde os seus artigos, intervenções cívicas e postais citadinos tiveram o melhor acolhimento.

Foi aprofundando ao longo dos anos os seus conhecimentos e o seu entusiasmo pelo Radio-amadorismo e em 1 de Outubro de 1982, fundou a R.A.R.E.P. – Ronda de Amizade de Radioamadores de Expressão Portuguesa, a qual conta com cerca de mil associados espalhados por todo o mundo. Organizou então vários Concursos Internacionais de Rádio, literários e Exposições de Fotografia, além do 1º Congresso Ibérico de Radioamadores.

Em 30 de Outubro de 1983, fundou o Elos Clube de Faro que devido à sua constante actividade, foi considerado na Convenção Internacional Elista de 1987, realizada no Rio de Janeiro – Brasil, como o Elos Padrão e foi convidado a organizar a Convenção Internacional de 1989 no Algarve. Para além de ser fundador, desempenhou as funções de presidente da Direcção do Elos Clube de Faro durante uma década, tendo posteriormente assumido as funções de Presidente da Mesa da Assembleia Geral desta mesma associação e de Governador Elista do Distrito n.º 28 ou Sul (Algarve e Alentejo).

Em 1989 foi candidato, pelo CDS, à Junta de Freguesia da Sé – Faro.

Hélder de Azevedo, foi um artista de raro talento como pintor a óleo e aguarela, procurando transportar para os seus quadros aquilo que via e sentia, os recantos mais típicos que conhecia do seu querido Algarve, porque deste modo teria a possibilidade de divulgar a região que lhe foi berço e que tanto amava.

No campo literário Hélder de Azevedo também se destacou obtendo em diversos concursos e Jogos Florais nacionais e internacionais 1ºs, 2ºs e 3ºs prémios e Menções Honrosas, tendo sido membro da AJEA – Associação de Jornalistas e Escritores do Algarve e da tertúlia dos poetas que regularmente ainda se reúne em Faro.

Veio a falecer em Faro a 2 de Outubro de 2001.

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