Archive for the ‘Histórias e Lendas’ Category

Revisão do processo dos Távoras

19/08/2011

Por curiosidade, no outro dia, encontrei uma tese de doutoramento deste ano de uma brasileira sobre o processo dos Távoras.

Dizia-se que parte do processo se teria extraviado e, ao que parece, terá sido levada pelo rei D. João VI para o Brasil e por lá ficou.

A tese parece-me exaustiva e interessante até porque, no processo de revisão, são invocados vários argumentos jurídicos para repudiar o uso da tortura nos interrogatórios criminais.

Está disponível em pdf neste link http://www.historia.uff.br/stricto/td/1315.pdf

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LENDA DE SANTA MARIA DE FAROON

03/07/2011

Sobre a Igreja da Misericórdia encontra-se a imagem de Santa Maria Maior, protectora dos visigodos, um povo cristão que se dedicava à pesca.

Dominada a cidade pelos Mouros, certo dia, estes decidiram retirar a imagem do seu nicho e jogá-la à ria, pois não acreditavam em santos pois eram regidos pela doutrina islâmica. Após esse dia o povo começou a passar fome, porque os pescadores iam à ria, e não havia peixe, passaram meses e o povo estava a passar um mau bocado, os pescadores iam para a pesca dia após dia, e voltavam com as redes vazias. Até que um dia deram ouvidos a um visigodo que estava em cativeiro, que tinha poderes especiais de adivinhação, e este disse-lhes que a fome e a falta de pescado se devia ao facto de ter atirado a Santa à ria, mas que se a encontrassem, a ria voltaria a dar pescado.

Então os mouros apressaram-se e jogaram as redes à ria, todos em conjunto unidos pelo esforço de a encontrar, e do fundo desta emergiu a imagem da Santa Maria Maior e logo a colocaram novamente no nicho. No dia seguinte quando foram para a pesca, qual não foi o seu espanto quando da ria brotaram peixes, tantos e tantos peixes como nunca se vira.

Fonte: ALS

Celeiro de S.Francisco

25/06/2011

Dá dó passar na rua e ver o estado de abandono do Celeiro de S.Francisco, em pleno coração de Faro.

Chama à atenção para quem lá passa, pelo estilo original do seu exterior, pouco habitual num celeiro, recordando sintomas esotéricos estranhos.

Também a figura e a história do Desembargador Veríssimo de Mendonça Manuel e o seu contributo para o desenvolvimento urbanístico e até cultural de Faro mereciam um maior desenvolvimento.

Seria interessante que os Farenses, em particular, os mais jovens conhecessem melhor a história da sua cidade e o perfil dos seus antigos beneméritos.

LENDA DA CASA DA MOURA ZAIDA

14/03/2009

Na serra de Sintra, perto do Castelo dos Mouros, existe uma rocha com um corte que a tradição diz marcar a entrada para uma cova que tem comunicação com o castelo. É conhecida pela Cova da Moura ou a Cova Encantada e está ligada a uma lenda do tempo em que os Mouros dominavam Sintra e os cristãos nela faziam frequentes incursões. Num dos combates, foi feito prisioneiro um cavaleiro nobre por quem Zaida, a filha do alcaide, se apaixonou.

Dia após dia, Zaida visitava o nobre cavaleiro até que chegou a hora da sua libertação, através do pagamento de um resgate. O cavaleiro apaixonado pediu a Zaida para fugir com ele mas Zaida recusou, pedindo-lhe para nunca mais a esquecer. O nobre cavaleiro voltou para a sua família mas uma grande tristeza ensombrava os seus dias. Tentou esquecer Zaida nos campos de batalha, mas após muitas noites de insónia decidiu atacar de novo o castelo de Sintra.

Foi durante esse combate que os dois enamorados se abraçaram, mas a sorte ou o azar quis que o nobre cavaleiro tombasse ferido. Zaida arrastou o seu amado, através de uma passagem secreta, até uma sala escondida nas grutas e, enquanto enchia uma bilha de água numa nascente próxima para levar ao seu amado, foi atingida por uma seta e caiu ferida. O cavaleiro cristão juntou-se ao corpo da sua amada e os dois sangues misturaram-se, sendo ambos encontrados mais tarde já sem vida.

Desde então, em certas noites de luar, aparece junto à cova uma formosa donzela vestida de branco com uma bilha que enche de água para depois desaparecer na noite após um doloroso gemido…

Fonte: Site Lendas de Portugal

LENDA DO MOURO DE CABRIL

07/03/2009

Beatriz era uma jovem camponesa que todos os dias pastoreava o seu rebanho junto da ribeira do Cabril. Muito bonita, era disputada pelos jovens do lugar. Talvez fosse por isso que ainda não se tinha decidido por nenhum, ou talvez por influência das histórias de pastoras e príncipes encantados que a avó lhe contava. Um dia junto à ribeira foi surpreendida por um príncipe encantado que a vinha buscar para a levar para o seu palácio de onde nunca mais sairia. O encanto seria quebrado quando Beatriz tivesse um primeiro filho.

Beatriz seguiu o seu sonho e nunca mais voltou a casa. As mulheres diziam que decerto tinha sido o mouro do Cabril que a tinha levado. Tinha fama de belo, poderoso e conquistador e noutros tempos já tinha levado uma rapariga tão bela como Beatriz. Passados anos, a mãe de Beatriz recebeu a visita do mouro que lhe pediu para ajudar Beatriz a ter o seu filho. A mãe seguiu o mouro até ao palácio encantado, prometendo sigilo contra a garantia de que o seu neto seria um homem livre.

A mãe de Beatriz visitou-a durante anos em segredo, até que um dia em que estava marcada uma visita o seu marido a obrigou a acompanhá-lo a uma feira numa terra vizinha. Contrariada, seguiu-o, e lá, por entre a multidão, encontrou o mouro com o seu neto ao colo. Sem se conter, deu-lhe um recado para Beatriz na presença de todos. O mouro e a criança desapareceram em fumo. A mãe de Beatriz ficou louca para sempre por causa, dizem, do desaparecimento da filha levada pelo mouro encantado do Cabril.

Retirado do site Lendas de Portugal

LENDA DA MINA DOS MOUROS

28/02/2009

Próximo da Vila de Pereira-Jusan, e um bocado abaixo da Fonte da Bica, encontra-se a Mina dos Mouros, que é uma fonte na boca de uma mina, tendo uns 4 metros de comprido e 1.50 metros de largo. É feita de pedra e cal e tem um banco feito a picão na pedra com capacidade para 4 ou 5 pessoas se sentarem. Está alguma coisa entulhada e coberta de silvas, mas ainda deita água que se aproveita para irrigação. Ao sítio onde está a fonte dá-se o nome de Mesquita, o que faz supor ter havido aqui algum templo árabe.

Mas a Mina dos Mouros (que nunca teve mais comprimento do que a actual, o que se evidência pelo seu emparamento) é objecto de grandes cuidados para as gentes do sítio, crendo firmemente que lá dentro existe uma moura encantada, guardando grandes tesouros. Têm-lhe feito em redor grandes escavações, mas dizem que chegando a certo sítio não há picão que entre na rocha. Já se vê que é o resultado do encanto. Vendo que o penedo não se movia, tentaram um último recurso: aspergiram-no com água benta e fizeram-lhe rezas, mas foi o mesmo que nada – o tesouro continuou a ficar encantado.

Uma mulher da Vila de Pereira-Jusan resolveu desencantar isto numa manhã de S. João por meio de rezas feitas sob a forma de um padre, mas esqueceu-se que o segredo é a alma do negócio, divulgou o seu plano e muita gente foi à Mina dos Mouros nessa tal manhã. Ao aproximarem-se ouviram ladrar 2 cães e tomando isto por bom agouro, voaram para a mina. Ali, no lugar da moura, estava o proprietário do terreno e os 2 cães. Este disse ao povo que visto esta mina encantada estar na sua propriedade, todos os tesouros que ali aparecessem seriam só para ele. Ouve ditos e altercações de parte a parte, mas por fim ninguém cavou na terra e nem se fizeram as rezas : e lá continuou tudo a ficar encantado.

Esta lenda tem dado margem a que muitos indivíduos tenham querido tentar fortuna procurando desencantar a moura.

Fonte: Ovar Virtual

LENDA DA MOURA DOS PÉS DESCALÇOS

21/02/2009

Há uma lenda pouco conhecida que conta uma história que dizem ter acontecido no interior algarvio, na zona da Serra do Caldeirão.

Antes do nascer do sol, numa manhã de S. João, um pastor que andava por um vale viu uma formosa donzela sentada no gargalo de um poço, que lhe acenou. Ele aproximou-se. Perguntou-lhe o que fazia ali sentada àquela hora da manhã e ela, batendo os pés descalços na água, disse-lhe que estava à espera de quem lhe trouxesse os seus sapatos, para poder regressar ao seu país.

Em contrapartida, quem lhe levasse os sapatos seria grandemente recompensado e, parando de bater os pés, retirou da parede do poço atrás das suas pernas duas grandes esmeraldas que mostrou ao pastor. “Onde estão os teus sapatos?” perguntou-lhe o homem já só vendo as esmeraldas na sua frente. “Isso terás tu de descobrir. Mas será no ano que vem, pois agora tenho de me ir embora”. Respondeu-lhe a donzela e, antes do sol começar a aparecer por cima do horizonte, saltou para dentro do poço e desapareceu como num passe de magia.

O homem ainda procurou as jóias, mas não as encontrou. Foi para casa muito perturbado e contou à mulher o que lhe acontecera. Esta aconselhou-o a, no ano seguinte, levar uns sapatos seus. O homem assim o fez. Quando chegou ao poço já a donzela lá estava a bater os pés na água. Ela disse-lhe o mesmo que no ano anterior e voltou a mostrar-lhe as jóias. O pastor deu-lhe os sapatos que levava, mas ela recusou-os dizendo que não eram os seus. O homem insistiu, mas de nada adiantou. Por fim, rendido, voltou a perguntar-lhe onde estavam os seus sapatos, mas a donzela não respondeu, apenas parou de bater os pés e ficou longamente a olhar para a água. O homem irritou-se, pois o céu estava a clarear e ela não lhe respondia. Voltou a perguntar uma e outra vez, mas a donzela mantinha-se imóvel a olhar para a água do poço. O pastor não queria ter de esperar mais um ano para ter as suas esmeraldas. Assim, puxou a moura para fora do poço para lhe poder roubar as esmeraldas antes que desaparecessem com ela ao nascer do sol. Mas, no momento em que os seus pés saíram da água começaram a desfazer-se em salpicos de água e, em pouco tempo, todo o seu corpo se desfez em água na frente do homem.

Este, perturbado, procurou as jóias onde ela estava sentada, mas não as encontrou, acabou por destruir todo o gargalo à procura das jóias, mas não as encontrou. Por fim, cansado, debruçou-se sobre a água para beber um pouco e foi quando viu dois sapatinhos verdes alinhados no fundo do poço. Diz quem lá vive que nas manhãs de S. João ainda é possível ver os sapatos verdes no fundo do poço, esperando pelo regresso da sua dona.

Autor: IS

LENDA DA MOURA ENCANTADA DE ALFACE

24/01/2009

Esta é uma história que já contavam os avôs dos meus avôs e aconteceu no lugar de Alface, na freguesia de Estoi.

Um dia, um homem, passeava por um campo onde só floresciam pedrinhas, pedras e pedregulhos. Contudo, para seu grande espanto, viu uma pequena planta quase sem folhas, com um ar muito frágil e quebradiço, a desabrochar numa pequena fenda no topo de uma grande rocha. Trepou pela rocha para ver melhor a planta e sentiu a necessidade de lhe tocar. Nesse instante, ouviu uma voz feminina que parecia sair do pequeno tronco que agora tremia, apesar de não haver vento: “Alimenta-me e acarinha-me durante um ano. Fala só para mim e para mais ninguém, dá-me leite todos os dias e alguns dias o teu sangue e logo serás recompensado”.

O homem, muito assustado, saiu dali a correr, mas a voz parecia segui-lo, continuava a ouvir aquelas palavras por mais que se afastasse. Os dias passaram, mas a voz permanecia latejante na sua cabeça, nem a dormir tinha descanço. Estava a dar em doido! Por fim, decidiu fazer o que a voz lhe pedia. Assim, um dia levou um púcaro de leite e foi ao campo pedregoso onde vira a planta. Não teve dificuldade em encontrar a rocha, mas a planta não passava de uma tosca haste quase seca. Pensou que já seria tarde demais, mas como tinha ido até ali, deitou o leite sobre ela e foi-se embora. Mas, a partir do momento em que despejou o leite sobre a planta deixou de ouvir a voz.

No dia seguinte estava curioso com o que teria acontecido à plantinha e foi ao local. Para seu grande espanto esta estava erecta, verde e viçosa. Disse-lhe algumas palavras e a planta estremeceu, como que a responder-lhe. Continuou a falar com a planta e esta parecia reagir ao som da sua voz. Lembrando-se de todas as tarefas qe a voz lhe confiara, levou a mão ao bolso e tirou um pequeno canivete, fazendo com ele um golpe no pulso e deixou correr algum sangue para a fenda onde estava a planta. A partir desse dia não voltou a falar.

O tempo foi passando e o homem todos os dias ia falar com a planta, levava-lhe leite e por vezes oferecia-lhe um pouco do seu sangue, como lhe fora pedido. A planta foi-se desenvolvendo e transformou-se muito rapidamente numa bela árvore. Com o engrossar do tronco a fenda onde ela crescia ia-se alastrando e alargando. O homem deixou de ir ao local para satisfazer a sua curiosidade sobre a planta e passou a ir lá porque se sentia feliz a falar com a árvore e achava realmente que ela o ouvia.

Um dia, quando chegou, viu a grande pedra partida ao meio e a árvore havia desaparecido. No seu local estava uma bela mulher de longos cabelos negros que lhe falou: “ Não me procures mais, pois aqui estou, o ano passou e o encanto quebrou. Agora diz-me qual a coisa que te irá fazer mais feliz e ela será-te concedida.” O homem pensou, voltou a pensar e, por fim, respondeu-lhe: “Podia escolher ouro, rubis, prata, terras a perder de vista, ou gado sem fim, mas nada disso me faria tão feliz como fui neste ano em que só com uma planta falei. Assim, quero que o tempo volte para trás e com a minha planta quero falar.”

“Isso não te posso dar, pois do tempo não sou senhora, mas agora comigo podes falar e responder já te poderei”.

“Assim minha senhora serás, pois o tempo não volta atrás”.

Autor: IS

LENDA DAS AMENDOEIRAS EM FLOR

03/01/2009

Há muito tempo, antes da independência de Portugal, quando o Algarve pertencia aos mouros, havia ali um rei mouro que desposara uma rapariga do norte da Europa, à qual davam o nome de Gilda.

Era encantadora essa criatura, a quem todos chamavam a “Bela do Norte”, e por isso não admira que o rei, de tez cobreada, tão bravo e audaz na guerra, a quisesse para rainha.

Apesar das festas que houve nessa ocasião, uma tristeza se apoderou de Gilda. Nem os mais ricos presentes do esposo faziam nascer um sorriso naqueles lábios agora descorados: a “Bela do Norte” tinha saudades da sua terra.

O rei consegui, enfim, um dia, que Gilda, em pranto e soluços, lhe confessasse que toda a sua tristeza era devida a não ver os campos cobertos de neve, como na sua terra.

O grande temor de perder a esposa amada sugeriu, então, ao rei uma boa ideia. Deu ordem para que em todo o Algarve se fizessem plantações de amendoeiras, e no princípio da Primavera, já elas estavam todas cobertas de flores.

O bom rei, antevendo a alegria que Gilda havia de sentir, disse-lhe:

– Gilda, vinde comigo à varanda da torre mais alta do castelo e contemplareis um espectáculo encantador!

Logo que chegou ao alto da torre, a rainha bateu palmas e soltou gritos de alegria ao ver todas as terras cobertas por um manto branco, que julgou ser neve.

– Vede – disse-lhe o rei sorrindo – como Alá é amável convosco. Os vossos desejos estão cumpridos!

A rainha ficou tão contente que dentro em pouco estava completamente curada. A tristeza que a matava lentamente desapareceu, e Gilda sentia-se alegre e satisfeita junto do rei que a adorava. E, todos os anos, no início da Primavera, ela via do alto da torre, as amendoeiras cobertas de lindas flores brancas, que lhe lembravam os campos cobertos de neve, como na sua terra.

LENDA DO PEGO DA CARRIÇA – SÃO B. MESSINES

27/12/2008

    Nos limites da freguesia de Messines com a freguesia de S. Marcos há o Pego da Carriça.
      Em certa noite passou um rapaz junto ao Pego. Levava ele a sua guitarra, pois ia para um divertimento. Ouviu ele as seguintes palavras:
      – Aproxima-te e toca a tua guitarra.
      O rapaz era folgazão, e como a voz vinha do pego, aproximou-se deste e pôs-se a tocar.
      Em seguida ouviu:
      – Não repares em coisa nenhuma por mais extraordinária que seja.
      O rapaz viu então um porco a dançar, na sua presença, ao som da guitarra; e logo a seguir, viu um touro, fazendo o mesmo, e mais logo uma serpente que se pôs também a dançar. O rapaz ria-se a valer, mas quando a serpente dele se aproximou, enroscando-se às pernas, e alçando a cabeça no manifesto intuito de o beijar, o rapaz deu um grito e disse:
      – Valha-me Maria Santíssima.
      A serpente desapareceu; e então a mesma voz exclamou:
      – Ah, ladrão, que dobraste o meu encanto!
      – Que mal fiz? Perguntou o rapaz.
      – Minha irmã ia dar-te um beijo, e era só o que lhe faltava para ficarmos todos desencantados.
      O que ela queria era tirar-me os santos óleos, que recebi no meu baptismo, atalhou o rapaz.
      – Pois sim; mas fica sabendo que se ficaste com vida, a ela agradece. Perdeste grandes tesouros que estavam reservados para ti.
      O rapaz, cheio de medo, tratou de largar campo para favas e nunca mais por ali passou.

Oliveira, Ataíde. Monografia de São Bartolomeu de Messines. Algarve em Foco Editora, 1909.

LENDA DO PEGO ESCURO

20/12/2008

  «Nos princípios do século passado morava nas proximidades do Pego Escuro um lavrador, que possuía muito gado, e tinha por isso criadores ao seu serviço. Um deles estava especialmente encarregado de guardar as vacas. Em certa noite foi o guardador em procura de uma vaca que se safara da Alpendurada, e viu que, horas depois, a vaca entrara no estábulo muito farta. O guardador preveniu o patrão e ambos a espreitaram nas noites seguintes. Em certa noite repetiu-se a cena: a vaca desprendeu-se da manjedoura, saiu, e voltou horas depois muito farta. Então resolveu-se o lavrador seguir a vaca, quando novamente a cena se repetisse. Uma noite, a vaca saiu, e o amo e o criador, acompanhando-a de longe viram que o animal se dirigia ao Pego Escuro; e logo, viram também que a água do pego se abrira, dando assim fácil entrada à vaca. Ficaram pasmados, e na noite seguinte, porque o criador tinha medo, foi a vaca somente vigiada pelo lavrador. Esperou o lavrador que a vaca saísse do pego, e nesse momento, uma voz dizia:
      – Aí tens a tua vaca pesada. Daqui a pouco tempo parirá dois bezerrinhos: um estrelado e outro mourato. No fim de um ano junte-os ao arado e trá-los a este pego. É preciso que ninguém veja o leite da vaca enquanto criar os bezerrinhos.
      O lavrador ouviu tudo perfeitamente e resolveu cumprir os desejos da voz oculta.
      Tempos depois, a vaca pariu dois bezerrinhos, e o lavrador proibiu que alguém tratasse da vaca. Era ele que tratava a fim de que ninguém visse o leite. Pareceu estranho à mulher do lavrador o preceito imposto pelo marido ao criado. Na primeira ocasião azada aproximou-se da vaca e pôs-se a ordenha-la.
      Com a presa caiu algum leite sobre as mãos da lavradeira, que logo as limpou no pêlo do bezerro moirato, que era o que lhe ficava mais próximo.
      Logo que os bezerrinhos fizeram um ano, o lavrador lançou-lhes a canga e conduziu-os, jungidos ao arado, para o Pego Escuro. Chegou, a água abriu-se, e os animais entraram, ficando o lavrador de fora a espreitar. Viu ele os bezerros, no fundo do pego, darem uma volta, e a chapa do arado encravar-se numa grande caixa, cheia de dinheiro em ouro. Ao mesmo tempo ouviu a voz, que gritava:
      – Força moirato, força moirato!
      O bezerro moirato fraquejou.
      Então ouviu a mesma voz:
      – Ai, ladrão, que me dobraste o encanto! Perdeste o dinheiro. Alguém viu o leite da vaca!
      Os bezerros não puderam sair do pego. O lavrador retirou-se para casa, triste e apoquentado. Soube pela mulher que ela fora a causa de não ficarem riquíssimos.»

fonte: Oliveira, Ataíde. Monografia de São Bartolomeu de Messines. Algarve em Foco Editora, 1909.

LENDA DA TOMADA DE SILVES AOS MOUROS

13/12/2008

Reinava em Silves o inteligente e corajoso rei mouro Ben-Afan que numa noite de tempestade, no intervalo das suas lutas contra os cristãos, teve um sonho extraordinário. Um sonho que começou por ser um pesadelo, com tempestades e vampiros, mas que se tornou numa visão de anjos, música e perfumes e terminou pelo rosto de uma mulher, divinamente bela, com uma cruz ao peito.

No dia seguinte, Ben-Afan procurou a fada Alina, sua conselheira, que lhe revelou que tinha sido ela própria a enviar-lhe o sonho e que a sua vida iria mudar. Deu-lhe então dois ramos, um de flor de murta e outro de louro, significando respectivamente o amor e a glória. Consoante os ramos murchassem ou florissem assim o rei deveria seguir as respectivas indicações.

Enviou-o ao Mosteiro de Lorvão e disse-lhe que lá o esperava aquela que o amor tinha escolhido para sua companheira: Branca, princesa de Portugal. Para entrar no mosteiro, Ben-Afan disfarçou-se de eremita e o primeiro olhar que trocou com a princesa uniu-os para sempre. O rei mouro voltou ao seu castelo e preparou os seus guerreiros para o rapto da princesa. Branca de Portugal e Ben-Afan viveram a sua paixão sem limites, esquecidos do mundo e do tempo. O ramo de murta mantinha-se viçoso, até que um dia D. Afonso III, pai de Branca, cercou a cidade de Silves e Ben-Afan morreu com glória na batalha que se seguiu. Nas suas mãos foram encontrados um ramo de murta murcho e um ramo de louro viçoso.

Lenda retirada do site Lendas de Portugal

LENDA DA MOURA CASSIMA

06/12/2008

Esta lenda passa-se em 1149, na véspera da reconquista de Loulé aos Mouros pelo Mestre D. Paio Peres Correia
Loulé estava sob domínio dos mouros e seu governador tinha três belas filhas Zara, Lídia e Cassima que era a mais nova.

Quando D. Peres se encontrava no exterior da muralhas da cidade pronto para conquistar a cidade, o governador levou as suas filhas até uma fonte onde as encantou, com o objectivo de as preservar de um possível cativeiro. Contudo o governador nessa noite conseguiu fugir para Tânger deixando as suas filhas para trás.

Mas este não conseguia viver feliz ao pensar na pouca sorte das suas pobres filhas. Até que num certo dia apareceu em Tânger um “carregamento” de escravos vindos de Portugal onde se encontrava um homem de Loulé, que o governador não hesitou em comprar.

Já no palacete o mouro perguntou ao Carpinteiro se ele não gostaria de voltar para perto da sua família, este sem perder um segundo disse que sim. Logo o mouro pegou num alguidar cheio de água dizendo ao louletano para ele se colocar de costas para o alguidar e saltar para o outro lado, prevenindo-o que se caísse dentro da água iria-se afogar no oceano, dando-lhe 3 pães (pães esses que continham a chave para o desencantamento das mouras) diz-lhe o que fazer com eles a fim de libertar as suas lindas filhas do encantamento a que foram sujeitas. O carpinteiro salta e como num passe de mágica chega a sua casa abraçando a sua mulher, logo de seguida ele vai até um canto da casa e esconde os 3 pães dentro de um baú.

Passado algum tempo mulher descobre os pães e fica desconfiada por ele estarem escondidos, então ela pega numa faca afim de ver se há alguma coisa dentro deles, espetando a faca num de imediato ela ouve um grito e as suas mãos enchem-se de sangue vindo do interior do pão.

Na véspera de S. João (dia para o encantamento ser quebrado) o carpinteiro estava indiferente à animação pois só pensava em cumprir a promessa por ele feita ao ex-governador, logo que pode pegou nos pães e foi até fonte. Chegando a altura certa este atira o 1º pão para a fonte e grita por Zara, a mais velha das irmãs e uma figura feminina sobe no espaço e desaparece diante dos seus olhos. Logo de seguida atira o 2º e grita por Lídia volta a aparece-lhe outra bela rapariga que desaparece no ar diante dele. Por fim atira o 3º e grita pela filha mais nova do ex-governador, nada acontece, ele volta a grita por Cassima e uma jovem moura aparece-lhe agarrada ao gargalo da fonte, que lhe diz que não pode sair dali devido a curiosidade da sua esposa. Ele pede-lhe desculpa em nome da sua pobre mulher, esta diz que a perdôa e que tem uma coisa para a mulher deste pois jamais poderá sair daquela fonte e atira um cinto bordado a ouro para as mãos do carpinteiro, enquanto desaparece no interior da fonte…

No caminho o Carpinteiro para ver melhor a beleza do cinto coloca-o em redor de um troco de um grande carvalho, mas de imediato a arvore cai por terra, cortada cerce pelo cinto fantástico.

Benzendo-se e rezando o carpinteiro compreende tudo: Cassima dera-lhe o cinto apenas para se vingar! Sua mulher ficaria cortada ao meio, como o carvalho gigantesco!…

Este correu para casa abraçou a mulher e nessa noite não consegui pregar olho com medo que a moura ali aparece-se, mas isso nunca aconteceu. Tal como a moura Cassima lhe dissera não mais poderia sair da fonte. Apenas por vezes, segundo se diz – principalmente nas vésperas de S. João – ela consegue agarrar-se ao gargalo da fonte, e mostrar sua beleza, e chorar a sua dor aos que se aventuram por até lá….

Retirado do site Lendas de Portugal

LENDA DAS TRÊS GÉMEAS DE SILVES

29/11/2008

No tempo em que Silves pertencia aos Mouros, vinha o rei Mohamed a passear a cavalo quando encontrou um destacamento do seu exército que trazia reféns cristãos. Entre estes estava uma lindíssima jovem, sumptuosamente vestida, acompanhada da sua aia, filha de um nobre morto durante o saque ao seu castelo. Mohamed ordenou que a nobre dama fosse levada para o seu castelo, onde a rodeou de todas as atenções, e lhe pediu que abraçasse a fé de Maomé para se tornar sua mulher. A jovem chorou de desespero porque Mohamed não lhe era indiferente, mas a sua aia encontrou a solução: ambas renegariam a fé cristã apenas exteriormente para agradar ao rei mouro e possibilitar o casamento.

Passado algum tempo, nasceram três gémeas a quem os astrólogos auspiciaram beleza, bondade e ternura, para além de inteligência, mas avisaram o rei que este deveria vigiá-las quando estas chegassem à idade de casar. O rei não as deveria confiar a ninguém. Passaram alguns anos e a sultana morreu, ficando a aia, que tinha tomado o nome árabe de Cadiga, a tomar conta das jovens. Quando estas eram adolescentes o rei levou-as para um castelo longe de tudo, onde havia apenas o mar por horizonte. As princesas tornaram-se mulheres, mas embora gémeas tinham personalidades muito diferentes. A mais velha era intrépida, curiosa, porte distinto e de olhar insinuante e profundo. A do meio era a mais bela, de uma singular beleza e apreciava tudo o que era belo, as jóias, as flores e os perfumes caros. A mais nova era a mais sensível. Tímida e doce, passava horas a olhar o mar sob o luar prateado ou o pôr-do-sol ardente.

Um dia, contra todas as indicações do rei aportou perto do castelo uma galera com reféns cristãos, entre os quais se salientavam três jovens belos, altivos e bem vestidos. Curiosas, as princesas perguntaram a Cadiga quem eram aqueles homens de aspecto tão diferente dos mouros. Cadiga respondeu-lhes que eram cristãos portugueses e contou às princesas tudo sobre o seu passado. Como as princesas começaram a ficar demasiado interessadas com os jovens cristãos, Cadiga pediu ao rei que levasse as filhas para junto de si, sem lhe explicar a razão. Cavalgavam as princesas com o rei e o seu séquito a caminho de Silves quando se cruzaram com os três cativos cristãos que não respeitaram a ordem de baixarem o olhar. As princesas quando os avistaram levantaram os véus e o rei, furioso, mandou castigar os cristãos insolentes. As princesas ficaram muito tristes mas conseguiram convencer Cadiga a arranjar maneira de se encontrarem com os jovens cristãos. A paixão violenta desencadeada por aquele encontro foi alegria de pouca dura. Os três cristãos foram resgatados pelo rei português e iriam embora em breve. As princesas dispuseram-se a segui-los e a converterem-se à fé cristã antes de casarem com os nobres cristãos. Cadiga rejubilava por conseguir resgatar para a fé que secretamente professava as filhas da sua ama. Foi então que a princesa mais nova se recusou a partir e a abandonar o pai. Ficou para trás e, conta a lenda, morreu de tristeza pouco tempo depois. A sua alma ainda hoje se lamenta e chora na torre do castelo nas noites sem luar.

Retirado do site Lendas de Portugal

LENDA DA CASTELÃ DE SALIR

22/11/2008

A vila de Salir, no Algarve, deve o seu nome à filha do alcaide de Castalar, Aben-Fabilla, que fugiu quando viu o seu castelo ameaçado pelo exército de D. Afonso III. Antes de fugir, o alcaide enterrou todo o seu ouro, pensando vir mais tarde resgatá-lo.

Quando os cristãos tomaram o castelo encontraram-no vazio, à excepção da linda filha do alcaide que rezava com fervor que tinha preferido ficar no castelo e morrer a “salir”. De um monte vizinho, Aben-Fabilla avistou a filha cativa dos cristãos e com a mão direita traçou no espaço o signo de Saimão, enquanto proferia umas palavras misteriosas. Nesse momento, o cavaleiro D. Gonçalo Peres que falava com a moura viu-a transformar-se numa estátua de pedra. A notícia da moura encantada espalhou-se pelo castelo e um dia a estátua desapareceu.

Em memória deste estranho fenómeno ficou aquela terra conhecida por Salir, em homenagem pela coragem de uma jovem moura. Ainda hoje no Algarve se diz que em certas noites a moura encantada aparece no castelo de Salir.

Retirado do site Lendas de Portugal

LENDA – A Moura do Castelo de Tavira

15/11/2008

A noite de S. João é, desde tempos imemoriais, a noite das mouras encantadas. A tradição conta que no castelo de Tavira existe uma moura encantada que todos os anos aparece nessa noite para chorar o seu triste destino. Os mais antigos dizem que essa moura é a filha de Aben-Fabila, o governador mouro da cidade que desapareceu quando Tavira foi conquistada pelos cristãos, depois de encantar a sua filha. A intenção do mouro era voltar a reconquistar a cidade e assim resgatar a infeliz filha, mas nunca o conseguiu.

Existe uma lenda que conta a história de uma grande paixão de um cavaleiro cristão, D. Ramiro, pela moura encantada. Foi precisamente numa noite de S. João que tudo aconteceu. Quando D. Ramiro avistou a moura nas ameias do castelo, impressionou-o tanto a sua extrema beleza como a infelicidade da sua condição. Perdidamente enamorado, resolveu subir ao castelo para a desencantar. A subida através dos muros da fortaleza não se revelou tarefa fácil e demorou tanto a subir que, entretanto, amanheceu e assim passou a hora de se poder realizar o desencanto.

Diz o povo que a moura, mal rompeu a aurora, entrou em lágrimas para a nuvem que pairava por cima do castelo, enquanto D. Ramiro assistia sem nada poder fazer.

A frustração do jovem cavaleiro foi tão grande que este se empenhou com grande fúria nas batalhas contra os Mouros. Conquistou, ao que dizem, um castelo, mas ficou sem moura para amar…

Lenda retirada do site: Lendas de Portugal

Lenda do Almocreve de Estoi

10/11/2008

Olá a todos!

Para dar inicio ao novo blogue e para fazer juz ao nome do mesmo fica aqui registado o relato da lenda do Almocreve de Estoi.

O almocreve José Coimbra, conhecido também por Ti Zé da Serra, percorria habitualmente, com o seu burrinho, os caminhos do Algarve. Um dia ao passar junto das ruínas de Milreu, perto de Estoi, encontrou uma bela moura encantada vestida com um manto de princesa que lhe sorriu. Fascinado, seguiu a moura até que ela chegou a um sítio onde bateu com o pé no chão três vezes e um alçapão se abriu. Desceram ambos por uma escadaria de mármore até uma sala enorme revestida a ouro onde a moura o deixou só por um instante antes de surgir acompanhada por um leão e uma serpente, seus irmãos encantados.

A bela moura prometeu-lhe o palácio e todo o seu ouro se ele quebrasse o encanto: teria que ser três vezes engolido e vomitado pelo leão e três vezes abraçado pela serpente. O corpo do almocreve ficaria em chaga e finalmente a moura o beijaria na fronte para lhe retirar os santos óleos do baptismo. O almocreve pediu-lhe para pensar e a moura deixou-o partir com duas barras de ouro.

José Coimbra voltou para casa e tentou esquecer o episódio, mas passado pouco tempo começou a empobrecer, ficando na mais absoluta miséria. Decidiu então vender as duas barras de ouro que tinha escondido, mas quando as olhou logo ficou cego. Como última esperança, resolveu consultar um especialista de olhos em Faro. Ao passar por Estoi, apareceu-lhe a moura que o acusou de ter faltado à promessa de lhe dar uma resposta. A moura só lhe tinha poupado a vida porque ele nunca tinha revelado o segredo daquele encontro. O almocreve chorou sinceras lágrimas de arrependimento, comovendo a moura que decidiu perdoar-lhe e devolver-lhe a visão. Conta-se que o almocreve nunca mais voltou a passar por Estói, onde ainda hoje uma moura e os seus irmãos esperam por quem os queira desencantar.

Lenda retirada do site: Lendas de Portugal