Archive for the ‘Sociedade’ Category

Estar-se a “marimbar”

30/07/2014

Desert

No atual contexto de crise que ainda vivemos, aqui no Algarve (e provavelmente em outras zonas do país) é chocante ver a quantidade de gente que se está a completamente a “marimbar” para quem passa mal.
Não falo só do abandono de idosos nos lares, sem visitas e sem que alguém da sua família mostre interesse e carinho. Falo também do alheamento da esmagadora maioria das pessoas, em particular, daquelas que, fruto do seu trabalho ou de heranças, têm mais possibilidades financeiras e mais poderiam ajudar quem mais sofre com o desemprego, a falta de comida para alimentar os filhos, de dinheiro para pagar rendas, a água, luz, uma botija de gás, etc.”O que é que interessa!” pensam aqueles a quem vida corre bem.
Não têm nada a ver com isso! Cada um que saiba de si! O Estado que se endivide mais para lhes dar subsídios e apoios! Uma parte da população são autênticos monstros indiferentes que só se preocupam com o seu umbiguinho, as suas viagens, o seu bem estar, os seus programinhas e o resto é lá com eles.
É engraçado que muitas histórias de heróis e grandes façanhas, verdadeiras ou de ficção, começam com um dilema moral. Falam-nos de pessoas normais, objectivamente sem grandes meios humanos ou materiais que, a dada altura são “importunadas” por alguém com quem se cruzam e alguém que os despertam para desafios e realidades que até aí lhes eram completamente alheias. E estando numa situação acomodada, aburguesada, com projetos de bem estar e conforto são abanadas e atraídas a sair da sua concha. Alguém lhes atira um balde de água fria à cara e lhes pede que compliquem a sua vida, deixem de olhar só para o seu umbigo, os seus bens e os seus programas para se meterem em assuntos e pessoas que nada têm a ver com a sua vida: gente que não é da sua familia, nem sequer sua amiga ou do seu país ou região; gente que, pelas mais variadas razões, são oprimidas, passam mal e são vítimas de injustiça.
E este dilema moral está lá sempre presente: “borrifo-me ou preocupo-me” ?
Estou-me a lembrar dos Alentejanos que, em 1384, D.Nuno Alvares Pereira desesperadamente tentava convencer a participar na futura (e aparentemente suicida) batalha de Atoleiros, tendo inclusive apanhado alguns a meio da noite a desertar.
Estou-me a lembrar de Bilbo Baggins e do seu sobrinho Frodo que resistiram ao apelo de Gandalf e dos anões para viajarem a terras distantes e desconhecidas, quebrando o aparente ciclo de felicidade do Shire onde estavam comodamente instalados.
Estou-me a lembrar da estudante universitária norte americana Jean Donovan que, desafiada pelo capelão da sua Universidade, lançou-se no interior de El Salvador, acabando assassinada, em 1980, de forma brutal e que antes de partir para a América do Sul, perguntava-se a si mesmo “Porque é que eu não posso ser apenas uma insignificante dona de casa dos subúrbios ?”
Estou-me a lembrar do sr Scrooge do “Conto de Natal” de Charles Dickens, o milionário ávaro, mal disposto contra o mundo e contra todos.
Infelizmente o que se vê à nossa roda, é a esmagadora maioria das pessoas metidas em si mesmas e nas suas coisas, querendo gozar tudo o que de bom a vida tem para dar, encolhendo apenas os braços pela má sorte de outras pessoas menos afortunadas. Alguns parece que querem levar o dinheiro para a cova. São casos quase patológicos.
Como diz o Papa Francisco “Ninguém deveria dizer que se mantém longe dos pobres, porque as suas opções de vida implicam prestar mais atenção a outras incumbências. Esta é uma desculpa frequente nos ambientes académicos, empresariais ou profissionais, e até mesmo eclesiais () Ninguém se pode sentir demitido da preocupação pelos pobres e pela justiça social” “Evangelii Gaudium 201”. O mesmo Papa Francisco chamou à atenção, na sua primeira viagem pastoral fora do Vaticano, à ilha de Lampedusa, para a “globalização da indiferença”.
Menos indiferença, menos alheamento! Quem mais tem, tem que se sentir responsabilizado !

Como é que os grandes líderes inspiram à ação !

22/03/2014

Não esqueçamos a Apatris 21de Faro !

16/03/2014

Associação Cristã Algarvia de Defesa do Ambiente

16/11/2013

A censura num país onde os media estão dominados pela esquerda

06/10/2013

José Ribeiro e Castro
Avenida da Liberdade, 2013-10-05

Hoje, estive na Caminhada pela Vida, organizada em apoio da Iniciativa de Cidadania Europeia UM DE NÓS. Vi, portanto, com os meus olhos. Ninguém me contou. Vi.

Entre o Marquês de Pombal e o Rossio, em Lisboa, desfilaram mil a duas mil pessoas. Afirmaram o direito à vida e promoveram em Portugal uma petição dirigida à Comissão Europeia, que, para ser válida e eficaz, tem de reunir um milhão de subscritores nos 28 países da União Europeia até 1 de Novembro próximo. O ambiente foi de festa e alegria, com muitos, muitos jovens a participar. Houve um pequeno comício no final, no Rossio. As imagens falam por si. (ver aqui)

E, amanhã, domingo, 6 de Outubro, decorre em todo o país o dia nacional de recolha de assinaturas na petição UM DE NÓS, como aí foi anunciado e promovido.

Estive a ver o Telejornal da RTP-1. Nem uma notícia, nem um segundo de atenção.

Fui espreitando o que se passaria no Jornal da Noite da SIC e no Jornal das 8 da TVI. Confirmei, depois, com amigos. Idem. Nem um segundo. Nada.

Silêncio. Omissão. Ocultação. Censura. Para quem se informa pela televisão, nada aconteceu.

Receio que, na imprensa, o mesmo irá acontecer. A agência Lusa fez uma notícia pelos mínimos, tendo deflaccionado os participantes para 500 pessoas, número que depois é replicado por todos os outros. Ainda assim, obrigado Lusa! Pois quase que aposto que essa notícia não sairá em nenhum jornal. Apenas a RR – Rádio Renascença lá esteve e tem reportado alguma coisa. No mais, é o férreo império da Censura.

E, todavia, vi nos telejornais:
Longas reportagens sobre a “manifestação” e provocações do movimento Que Se Lixe a Troika, que, na Praça do Município, não juntou mais de 20 pessoas! (Também o vi com os meus olhos, pois também lá estive, de manhã, nas cerimónias do 5 de Outubro, onde isto aconteceu.)
A reportagem de uma manifestação com 100 pessoas em homenagem aos bombeiros, que se desenrolou do Marquês de Pombal para a Assembleia da República. (Também apoio a indignação pela muito baixa participação nesta outra manifestação, merecidíssima, mas que pouca divulgação tivera.)
No processo de desenvolvimento da Iniciativa de Cidadania Europeia UM DE NÓS, dei também duas conferências de imprensa na Assembleia da República com os meus colegas deputados Carina Oliveira e António Proa. Numa, só houve notícia da RR e da Lusa. Noutra, apenas da Lusa. Mais nada em sítio algum!

Semanas antes, os promotores da Iniciativa em Portugal fizeram uma apresentação à imprensa na sede da Comissão Europeia, em Lisboa, no Edifício Jean Monet. Nem uma só notícia.

Para a censura estabelecida, a ordem é esconder do público e da opinião pública que:
Estão em marcha as Iniciativas de Cidadania Europeia, uma inovação do Tratado de Lisboa que obriga a Comissão Europeia a agir no sentido pedido por 1 milhão de cidadãos de toda a União Europeia.
A Iniciativa de Cidadania Europeia UM DE NÓS, lançada em Maio de 2012, vai ser a segunda a atingir esse objectivo, difícil e exigente. (A outra que o conseguiu anteriormente foi uma sobre o direito à água.)
A Iniciativa de Cidadania Europeia UM DE NÓS, apesar dos boicotes e da censura, não só atingiu já a exigência de 1 milhão de assinaturas, como já superou o objectivo seguinte de alcançar 1 milhão e 200 mil em toda a U.E., trabalhando agora por chegar ao milhão e meio até ao final deste mês.
A Iniciativa de Cidadania Europeia UM DE NÓS, apesar dos boicotes e da censura, já conseguiu recolher 17.500 subscritores em Portugal.
A Caminhada pela Vida fez desfilar em Lisboa 1.000 a 2.000 pessoas, com uma impressionante participação de jovens.
Amanhã, domingo, 6 de Outubro, será o dia nacional de recolha de assinaturas na petição UM DE NÓS.
Este dia nacional de recolha de assinaturas tem o apoio da Conferência Episcopal Portuguesa.
É tudo isto que a Censura abafa e cala. Os menos de vinte estroinas do Que Se Lixe a Troika é que são notícia e longa notícia.

A psicologia do mal em nós

04/09/2013

Porque é que todos nós, conseguimos ser e fazer coisas más ou, sendo maus, conseguimos ser e fazer coisas boas ?
Excelente apresentação no TED, com implicações ao nível da economia, isto é, bem no centro da espiral que está na origem da crise que atualmente

Estranho Mundo Este

05/02/2013

CopyrightA propósito do novo projecto de lei do actual executivo governativo, sobre a nova taxa a ser aplicada a dispositivos que permitam gravação, nomeadamente telemóveis, tablets, leitores de Mp3, caixas descodificadoras (entenda se boxs de TDT) é intenção a cobrança de uma taxa sobre direitos privados. A proposta indica que por cada GB num telemóvel ou Tablet, será taxado em 0.25€ (50 escudos). Os leitores de MP3 serão taxados em 0.4€ (80 escudos) e as caixas descodificadoras em 0.05€ (10 escudos), segundo o Jornal de Negócios. Actualmente já se paga uma taxa para equipamentos que permitam a gravação, tais como os CDs e DVDs.

Ora parece-me que o ridículo é hoje aceitável como uma atitude natural. Vejamos que estes equipamentos permitem funcionalidades de gravação que complementam novas funcionalidades, fruto da evolução tecnológica. É curioso que em vez de se ajustar a legislação á inevitável evolução tecnológica, se criem mecanismo que a troco de dízimos se faculta, a quem pode, o acesso a estas tecnologias. O desconhecimento do funcionamento dos equipamentos referidos é a base para se criar mecanismos legais de taxação. Para quem ainda não sabe, e parece-me que é generalizado, aos telemóveis e Tablets é facultado, pelo fabricante, gratuitamente na compra um dispositivo de armazenamento entenda-se os cartões de memória de modo a aumentar a capacidade de armazenamento nativa, atendendo a que a mesma a médio prazo se torna obsoleta. Deste modo é aumentando a sua “esperança” de vida, uma vez que as aplicações e o sistema operativo destes equipamentos, fruto mais uma vez da segurança e evolução tecnologica, são actualizados com alguma regularidade e obviamente necessitam de mais espaço de memoria. No caso dos leitores de MP3 e nomeadamente os “Ipod”, ao espaço que disponibilizam é para ser alocado com músicas compradas nas lojas para o efeito, como por exemplo o “ Itunes”. Se porventura o utilizador por outros meios adicionar musica não comprada em locais oficiais aí sim é ilegal e não se enquadra no âmbito deste texto. Outro tipo de equipamento que não este ultimo, existe realmente a possibilidade de infringir os direitos privados, mas então que se proíba a sua comercialização. Por ultimo falta referir as caixas descodificadoras, mais uma vez entenda-se as boxs de TDT, que estas não albergam nenhum espaço de armazenamento nativo para posterior gravação. Para tal é necessário adquirir uma “pen” ou adaptador de cartão de memória para o efeito. Mas aqui também já se paga uma taxa sobre direitos televisivos. Não se entende. Curioso é que sobre equipamentos de multimédia, nomeadamente equipamentos que permitam a gravação de conteúdos digitais e posterior leitura, não exista alguma referência, visto que e fruto de evolução tecnológica, estejam em declínio para outro tipo de tecnologia como por exemplo o serviço das televisões por assinatura (que também já inclui taxa sobre direitos privados).

Parece-me que estes “indivíduos”, não assente num parecer técnico, querem a tudo custo “sacar” mais algum “guito” á “malta”. Estas palavras ditas deste modo parecem que temos aqui uns “agarradinhos” á procura de um fundo de maneio para orientarem mais um pouco da “branquinha”. Nem mais…, o comportamento é similar.

As crianças precisam estrutura !

28/01/2013

As crianças necessitam de estrutura

CONFERÊNCIA/DEBATE “FARO: CIDADE COSMOPOLITA”

28/01/2013

A “FARO 1540” vai promover no dia 1 de Fevereiro (6ª feira) mais uma iniciativa de Cidadania Participativa desta feita com a Conferência/Debate subordinada ao tema “Faro: Cidade Cosmopolita” que terá como convidado especial o jornalista e dinamizador social, Viegas Gomes.

Decorrerá nas instalações da “FARO 1540” pelas 21h30, onde todos estão convidados a participar e a entrada é livre!

Contamos com a vossa presença neste interessante debate.

FaroCidCosmop

Adaptar a escola ao mercado de trabalho e aos desafios dos Media

12/11/2012

Nuno Crato, o novo ministro da Educação, afirmava há uns meses atrás que um dos objectivos do sistema de ensino passava pela sua adaptação aos desafios da idade adulta e do mundo profissional que espera os jovens estudantes.

Neste âmbito, haveria que excluir ou reduzir as matérias que têm pouca aplicação prática e apostar nas que têm.
Uma das áreas mais importantes no sentido de atribuir competências aos jovens com vista a uma maior concentração e autonomia passa pela chamada “Educação para os Media”.
A “Educação para os Media” tem uma dupla vertente.
Por um lado, munir os jovens dos instrumentos necessários a uma utilização inteligente dos media ao nível académico e profissional.
Por outro, investi-los das competências necessárias a uma interpretação dos media que permite a sua desmontagem e a obtenção de um consequente distanciamento que evite situações de manipulação e atracção maníaco-compulsiva.
Infelizmente, este área continua a ser descurada pelos programas de ensino.
Excepção a isto é a chamada “leitura de imagens e movimento” que é uma rubrica prevista em alguns programas de Português para certos anos de escolaridade.
Entre outros efeitos, o consumo massivo de multimedia aumenta quer a dificuldade de concentração, quer a hiperactividade com consequências negativas para o desenvolvimento psicossocial dos estudantes.
Há que rever os programas de ensino e torná-los mais atractivos, mais modernos, mais adaptados à preparação dos estudantes com vista à sua inclusão num mundo cada vez mais competitivo e, por vezes, cruel.

Demagogia

05/10/2012

Na sua obra “A República”, Aristóteles dizia que a forma de degenerescência da Democracia é a demagogia. Sabemos também que, no dizer de Churchill “A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas“. Por outras palavras, a Democracia será a melhor das piores formas de governo.

Na génese da crise económica europeia está também subjacente uma crise da própria classe política e do sistema democrático. Em particular, na Grécia, em Espanha e em Portugal isso é muito evidente, em grande parte motivada pela insensatez, desgoverno e incompetência dos partidos socialistas locais que estiveram no governo desses país.

Mas a culpa não é só dos partidos e dos governos, é também dos eleitores.

Senão vejamos.

Nas eleições legislativas de 2009, Manuela Ferreira Leite, na campanha eleitoral, defendeu a necessidade de recorrer a medidas de austeridade e contenção como forma de estabilizar as finanças públicas e o déficit do Estado.

Enquanto isso, Sócrates dizia que o discurso de Manuela Ferreira Leite era pessimista e que, com ele, os salários e as pensões não seriam afetados (inclusive até foram aumentados precisamente na véspera das eleições) e que, com ele, o país lançar-se-ía numa onda de grandes investimentos públicos que iriam relançar a economia.

À exceção dos economistas pró-Socrates, todos os outros especialistas consideravam que a estratégia de Sócrates era um suicídio para o país. Porém, como Sócrates utilizou um discurso enganador, falso e aparentemente mais positivo, acabou por ganhar as eleições, lançando depois o país na ruina, com despesas galopantes em cima de mais despesas e endividamento atrás de endividamento.

Quando Portugal acabou por pedir um resgate à Troika, os salários e pensões de reforma corriam o risco de não serem pagos. Mas, já era tarde de mais . Os eleitores escolheram votar em quem os tinha enganado e recusaram votar em quem lhes dizia a verdade e usava como lema e bandeira eleitoral“Uma política de verdade”. Os eleitores, pelo contrário, preferiram a mentira, preferiram quem lhes vendia uma “banha da cobra” mais atrativa.

Em 2011, quando Passos Coelho se apresentou às legislativas, afirmou que iria tentar não aumentar os impostos e nada disse quanto ao corte de subsídios de Natal e de férias. As pessoas foram, de novo enganadas.

Mas se Passos Coelho seguisse o exemplo de Manuela Ferreira Leite e anunciasse, em plena campanha eleitoral quais as medidas duras e de austeridade que iria levar a cabo, será que os eleitores teriam votado à mesma no PSD ?

Ou será que o seu fim, seria o mesmo de Manuela Ferreira Leite que foi penalizada por dizer a verdade e não a esconder ?

Esta comparação leva-nos a uma conclusão:

Para ganhar umas eleições, o povo precisa de ser enganado porque o povo procura sempre o mais fácil, segue sempre quem lhe promete mais, melhor e de forma mais rápida. Depois, quando se vê enganado, aí é que o povo se lembra que as promessas não foram cumpridas e vai para as ruas, reclamar e manifestar-se contra a classe política. Mas, cada um tem o que merece e se só é possível ganhar umas eleições através da mentira e das falsas promessas, quem é que pode censurar os políticos de a isso recorrerem, se essa é a única forma que têm de aceder ao poder ?

É necessário apostar numa maior maturidade e formação política dos eleitores de forma a que este não reajam de forma meramente intuitiva e pavloviana. Há que dizer a verdade, não escondê-la e demonstrar que não há alternativas, além do caos e da rutura.

Fazer o contrário, é pura demagogia.

Processo de Sócrates Arquivado

23/09/2012

E é esta a justiça do nosso país…Por favor, não gozem mais com a malta!!!

QUO VADIS PORTUGAL?

09/09/2012

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Começo seriamente a duvidar da existência de um futuro risonho para Portugal e para os portugueses.

Onde está o dinheiro do caso BPN? Para quando um travão sério na mamagem das parcerias público-privadas? Porquê que só o povo português é que tem de assumir responsabilidades dos disparates que foram feitos?

Assim não vamos lá!

Um novo paradigma

09/09/2012

Nos últimos 25 anos assistimos à queda de dois muros, o de Berlim, simbolo do comunismo e o da Lehman Brothers, simbolo do delírio bancário e financeiro que caracterizou a época áurea do capitalismo exacerbado.

De facto, os bancos e as financeiras apelaram a um consumismo desenfreado das pessoas, na ânsia do ter mais coisas, uma casa mais confortável e com mais comodidades, um carro de maior cilindrada e de marca mais vistosa, etc. Já sabemos no que deu este delírio. Agora com os bancos a necessitarem de ajuda, que os países e os consumidores endividados acordaram da ilusão em que viveram, cabe-nos a todos pagar a factura da crise, apertando o cinto cada vez mais. O que é certo é que toda esta nova conjuntura está a criar um novo paradigma social, económico, e financeiro.

Ao nível social, verificamos que uma das consequências da crise actual reside no agravamento da (já anteriormente existente) crise demográfica, com a redução do número de nascimentos, com consequências graves ao nível quer da sustentabilidade do sistema de contribuições para a Segurança Social, quer da colocação de professores em virtude da diminuição drástica da população escolar. Outra das consequências, ao nível social, reside no recurso a novas formas de solidariedade, com particular destaque para as trocas directas, entre pessoas e famílias de bens, serviços ou alojamentos. Livros, roupas, brinquedos, material informático, móveis, electrodomésticos, etc. incluem-se nesta nova forma de transferência de bens, utilidades e serviços que, ainda assim, tem de ser mais aperfeiçoada, apesar do muito que já se avançou nesta área na internet e através das IPSS’s. O reforço dos laços familiares é curiosamente outra das consequências a que estamos a assistir como consequência da crise verificando-se, por um lado, a diminuição do nº de divórcios e, por outro, a manutenção (ou regresso) dos idosos às suas casas de família. O recurso ao crédito agilizava o divórcio, permitindo a aquisição de novas casas, acompanhada pela troca de parceiro. Agora, mesmo os casais que vivem com problemas conjugais entre si, tentam ultrapassá-los, havendo uma maior tolerância e compreensão de forma a manterem a solidez económica da família. O “El Dorado do céu na terra” oferecido por financeiras e bancos ajudava a incutir nas pessoas a ideia de que também no seu relacionamento afectivo seria possível encontrar um parceiro melhor, com menos defeitos e mais qualidades, tal como acontece com os carros, telemóveis e pc’s, e se fosse necessário refazer a vida, lá estaria o banco para oferecer mais um crédito.

Ao nível económico, verificamos quer o encerramento de muitas empresas, quer a sua reconversão apostando em outros nichos de mercado e reduzindo pessoal. A ideia de produzir bens, casas, eletrodomésticos, carros, entre outros em catadupa promovendo o desperdício e o endividamento, era claramente um exagero, aliás, chocante se pensarmos que em outras partes do mundo mais desfavorecidas, em particular no hemisfério sul, muitos morriam com a falta do que outros,em países do hemisfério norte, esbanjavam.

Esta nova conjuntura, para uns, convida ao desemprego ou ao trabalho em part-time ou com horário reduzido, uma vez que as exigências de produção não serão tão grandes enquanto que, para outros, implicará trabalhar mais horas e mais intensamente. Com menos trabalho ou mais trabalho por menos preço, também o Estado sofre porque recolhe menos impostos e caímos num circulo vicioso.

O mais chocante é que quer os bancos, quer uma minoria de milionários continuam a abusar da sua sorte, tentando obter mais rentabilidade, ainda que à custa da miséria dos outros. Por isso, sobre estes há que ter a coragem de também adoptar medidas.

Educar para a gestão

24/07/2012

Num dos seus artigos no semanário “Expresso”, um dos gestores mais brilhantes de Portugal, António Carrapatoso, defendia a introdução obrigatória de aulas de gestão no ensino. Dizia ele que, através do recurso ao método do “caso” e pela transmissão de alguns princípios elementares de gestão, os estudantes estariam a adquirir competências na área da gestão que lhes seriam muito úteis para o futuro.

O problema desta sugestão é que ela  lançaria à escola e aos professores mais um desafio e mais um encargo a somar a todos os outros. Educar para os media, educar para o desporto, educação sexual, educar para a arte, educar para a defesa do ambiente, etc, etc. No entanto, a meu ver, uma boa integração e organização curricular permitiram perfeitamente ultrapassar este problema.

Gerir a economia pessoal e doméstica, gerir a sua carreira, gerir o seu tempo, gerir a sua empresa, gerir as suas relações humanas, etc.etc. tudo isto implica saber gerir e saber gerir bem está inevitavelmente associado às virtudes da prudência e do elementar bom senso.

Saber gerir o risco, não arriscando demasiado sem uma garantia de reserva, no caso da aposta sair gorada; saber gerir as poupanças; saber gerir os investimentos, apostando nos estudos e avaliação dos mercados potenciais; saber gerir os recursos humanos e materiais, aligeirando os custos para poder oferecer um produto mais atractivo e competitivo; não estar demasiado depentende de um determinado cliente ou de um determinado nicho de mercado; ter planos alternativos de redução de custos ou de apostas em outras áreas de investimento alternativas potencialmente mais promissoras; saber adaptar-se às constantes e permanentes alterações e necessidades do mercado, mas também saber escolher o local das férias, tendo em conta os encargos mensais de todo o ano, saber escolher a escola dos filhos e a forma destes ocuparem os tempos livres; saber gerir a relação com o parceiro, exigindo de umas vezes e cedendo em outras etc.etc.etc.

Não deixa de ser interessante que o próprio Jesus Cristo em muitas das suas parábolas evangélicas se refira a actos e princípios de gestão micro-economicos: a forma como as virgens prudentes e imprudentes geriam o óleo das lamparinas do casamento, a forma como os trabalhadores geriam as moedas que o seu patrão lhes deu antes de partir de viagem: a forma como o pastor gere a perda de uma ovelha, a forma como o latifundiário gere a indisciplina dos seus trabalhadores agrícolas, etc.etc.

Se olharmos para a génese de muitas falências verificamos que muitas são causadas por erros de gestão, por apostas mal medidas, por iniciativas pouco prudentes, precipitadas e adoptadas com excesso de confiança. Vemos também a menor sensibilidade que muitos gestores têm em relação ao cumprimento das suas obrigações fiscais e perante a segurança social, o que, mais tarde, lhes traz inúmeros dissabores em mais um sinal de imprudência.

Há que começar a explicar às crianças e jovens o que é gerir e como gerir e gerir bem. Como se deve, com um capital inicial, apostar, desde logo, na contenção de despesas, pagando 1º o que é de lei pagar (IVAs e Segurança Social), depois agir de forma a salvaguardar os postos de trabalho e, em simultâneo, motivar a força laboral da empresa; pensar como melhorar cada vez mais a oferta, tornando-a mais atractiva, ensiná-los a poupar e a não desperdiçar recursos de forma inútil; ensiná-los a tentar acertar nas apostas que fazem e a saber levantar-se quando alguma coisa corre mal.

Talvez a reconstrução do país, comece mesmo por aí.

O orgasmo e a sua “voltagem”..

28/06/2012

Este artigo é especialmente dedicado aos engenheiros electrotécnicos mas, quem não o é, não perde nada em enriquecer a sua cultura geral. O orgasmo feminino é uma coisa da qual as mulheres percebem muito pouco e os homens ainda menos. Pelo facto de ser uma reacção endócrina, que se dá sem expelir nada, não se apresenta nenhuma prova evidente de que aconteceu, ou de que foi simulado. Diante deste mistério, investigações continuam, pesquisas são feitas, centenas de livros são escritos, tudo para tentar esclarecer este assunto.

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos na qual se mediu a descarga eléctrica emitida pela periquita no instante do orgasmo (fica aqui a duvida sobre como se realizou a medição). Os resultados mostram que, na hora H, a “pardaleca” dispara uma carga de 250.000 micro-volts, ou seja 250V. Ou seja, 5 “passarinhas” juntas, ligadas em série na hora do “ai meu Deus”, são suficientes para acender uma lâmpada e uma dúzia é capaz de provocar a ignição no motor de um automóvel com a bateria em baixo. Já há até mulheres a treinar para carregar a bateria do telemóvel (com o respectivo carregador): dizem que é só ter o orgasmo e, tchan… carregar.

Portanto, é preciso ter muito cuidado porque aquilo, afinal, não é um “brinquedo”: é uma torradeira eléctrica!!!…e se der curto-circuito na hora de “virar os olhos”?!… Além de vesgo, fica-se com a doença de Parkinson e com a “salsicha” assada. Preservativo agora é pouco: tem de mandar encamisar na Michelin. E, no momento da descarga, é recomendado usar sapatos de borracha, não os descalçar e não pisar o chão molhado.

É também aconselhável que, antes de se começar a molhar o biscoito, se pergunte à parceira se ela é de 110 ou de 220 volts, não se vá esturricar a “alheira”.

Por outro lado, outro estudo semelhante, indicia uma aparente perda de memória quando se atinge este estado.  Juntando estas dados científicos, podemos justificar a postura de alguns indivíduos/as que habitualmente são “esquecidos”. Possivelmente porque têm uma vida sexual francamente saudável.

Deixo o conselho, se necessitar de vitaminas para o cérebro, possivelmente o melhor é reduzir a dose de actividade  sexual e não se esqueça de não praticar sexo (orgásmico), antes de actividades que requeiram intensa actividade cerebral.

 “in ainanas”

Os defeitos e exageros das comissões de proteção

03/06/2012

Agora que a presença da Comissão de protecção de crianças e jovens em perigo é já um fato consumado em mais um concelho do Algarve, São Brás de Alportel, gostaria de deixar aqui algumas notas e considerações, tendo por base experiências que tive, nesta área, não só como advogado, mas também no âmbito do meu ativismo social.

Desde já, há que dizer que a existência e finalidades destas comissões é algo altamente meritório e positivo, que a sociedade se organize, para localmente, numa perspetiva de proximidade e subsidariedade, monitorizar a situação de crianças e jovens em risco.Por outro lado, a recente possibilidade de participação às comissões de protecção de menores por parte das Escolas dos casos de demissão das funções de acompanhamento por parte dos pais, definidas no novo Estatuto do Aluno, ainda vem reforçar mais a importância destas comissões.

Há, no entanto, dois perigos a que a actuação destas comissões estam sujeitas, o da sua atuação por excesso e o da sua atuação por defeito.

O perigo de atuação por defeito sucede nos casos de ocorrência de negligência ou ofensa graves à integridade física e psíquica das crianças, sem que a respetiva comissão tenha atuado pronta e eficazmente na sua prevenção de forma a evitar que tais ofensas ocorressem. Sabemos que no passado existiram casos que tiveram um final triste, onde se questionou se a atuação da CPM local não poderia ter sido outra, porventura mais diligente e proativa. São sempre situações desagradáveis, mas nem sempre as CPM conseguem ou podem antever tudo o que de mal poderá acontecer a uma criança ou jovem, sobretudo quando os sinais e indícios de perigo são ténues..

Mas foram precisamente estas situações de atuação por defeito que levaram  algumas CPM’s a cair no extremo oposto de retirar as crianças do seu meio familiar natural num manifesto excesso de zelo e como forma de prevenção extrema.

Há que não esquecer que, por pior que possa ser o enquadramento social e educativo de uns pais, o ambiente familiar natural, é e será sempre o melhor sítio onde uma criança pode estar e tal só assim não sucederá em casos extremos que têm de ser totalmente excecionais em que a integridade física ou psíquica do menor corre um sério risco de ser fortemente afetada. É verdade que muitos pais têm defeitos, podem ser alcóolicos, pobres ou até drogados, podem não ter as competências sociais, formativas e educativas ideais para cumprir as suas funções parentais mas são sempre os pais dessa criança ou jovem. Por isso, por vezes, há que escolher não a solução mais fácil que passaria simplesmente pelo seu internamento numa instituição de acolhimento, mas antes pela solução que, sendo mais difícil de aplicar, será claramente a melhor. Estou-me a referir à importância do apoio, se possível, ao domícilio dos próprios pais, munindo-os e formando-os com vista à atribuição das competências específicas que permitam o melhor cumprimento (ou, pelo menos, menos mau) das suas funções e responsabiliadades parentais.

É chocante verificar os exageros e abusos em que incorrem muitas destas entidades responsáveis pela tutela da integridade dos menores e que são, em toda a linha, altamente reprováveis. Ainda há uns meses atrás uma voluntária numa IPSS contava-me uma destas histórias de arrepiar: Uma mãe de 3 filhos, perfeitamente normal, mas que tinha “o grave defeito de ser pobre”. Por isso, viu os seus filhos serem-lhe retirados, mas como não haviam vagas para os 3 filhos numa mesma instituição, estes foram divididos e distribuídos, em separado, por diferentes instituições afastadas umas das outras. Mas o mais chocante ainda é que se somassemos o valor que o Estado estava a dar a cada instituição pelo acolhimento de cada menor e o entregássemos à dita mãe, esta passaria a ter as condições económicas que estiveram na origem desta situação.

A revolução está em NÓS.

25/04/2012

Comemorou se hoje mais uma data histórica em Portugal, o 25 de Abril de 1974. Independentemente do modo como foi comemorada esta data, uma coisa é certa, graças á revolução em causa, cada um de nós pode faze-lo como entender. É um dos direitos adquiridos. Não querendo fazer uma exposição histórica do seu significado, do 25 de Abril, prefiro nesta data fazer pequenas reflexões sobre os dias de hoje e os dias de então. Como todos sabem, atravessamos hoje momentos socio-economicos e mesmo políticos, de extrema dificuldade. É uma das consequências do 25 de Abril. Recordo que Portugal, em tempos de ditadura, sempre passou ao lado de todo o que existia pelo mundo, tenha sido guerras ou prosperidade económica. As revoluções acontecem quando existem na sociedade grandes desigualdades entre classes. A fome, a precariedade, o desconforto, a falta de prosperidade são alguns dos fortes factores que podem ser indiciadores de uma revolução. É sempre bom estarmos em alerta.

Do estado castigador ao estado protector, o Portugal de hoje é muito diferente de então. O conceito de estado social implementado por países da Europa ocidental é hoje um dos grandes pesos que atravessamos. Implementado em alturas de grande prosperidade económica, hoje é um fardo que as actuais economias não conseguem suportar. Em Portugal o estado protector é mais um estado atrofiador tendo seus tentáculos em todas as áreas estratégicas não com uma cultura de regulador mas sim como portas que não se abrem a uma prosperidade que todos desejamos.

Para aqueles que se querem identificar como donos do 25 de Abril, estão hoje com indícios de falta de lucidez sobre o seu significado. A maior diferença entre a democracia e a ditadura é o dono da liberdade. Em democracia o dono da liberdade somos nós próprios mas atenção, a nossa liberdade acaba quando interfere na liberdade do próximo. Ao contrário do que muitos pensam, a liberdade não é um direito tão adquirido como se pensa. A falta de transparência, a falta de rigor, a falta de comunicação dá-nos a ligeira sensação de querer ocultar o que não deve ser ocultado. Temos hoje a noção de que vivemos momentos de grande corrupção mas na realidade a informação que vamos tendo sobre casos de grande corrupção em Portugal, deve se ao 25 de Abril. Em ditadura o rácio de corrupção é muito maior, mas como não existe fuga de informação, porque a liberdade tem dono, parece nos que não existia. Muito pelo contrário.

O Portugal de hoje é muito diferente, pelo menos em imagem, de outros tempos. Mas a revolução ainda não acabou. Existem muito para fazer, muito que discutir, muito que implementar. Não são as grandes obras públicas, entendido por alguns como um grande dinamizador da economia, mas sim “obras” ao nível do reformador, do qualificador e de uma economia mais próspera. Repare que ainda hoje o nível de escolaridade da população é preocupante, independentemente dos biliões que se gastou e se continua a gastar. Muito se tem de fazer em relação á educação em Portugal, porque a democracia só funciona se houver participação daqueles que vivencias esses tempos. Na realidade a falsa qualificação que se anda a certificar é um factor que contribui para uma democracia menos democrática.

Seja Gestor…do seu Tempo

20/04/2012

É comum em conversas com amigos ouvirmos as mais diferentes expressões, fazendo nos parecer que são pessoas muito ocupadas. “Não tenho tempo para nada…” ou “…não posso, tenho cenas para fazer…” ou “…ando tão ocupado que não tenho tempo para dormir…” ou mesmo “…ando a dormir pouco…estou cheio de trabalho…” ou ainda “…24 horas por dia é pouco para mim…precisava de mais tempo…” ou mais ridículo “…um dia deveria ter 48 horas…”. Com tudo parece-me que falta definir de uma vez por todas, que um dia tem 24 horas. Não são mais nem menos. O princípio de nos mentalizarmos deste intervalo de tempo é um passo para adquirir uma determinada regra e rigor em nós. Os relógios são todos cronometrados para realizar contagens de tempo com algum rigor e é para todos. Mesmo que não se encontrem sincronizados todos eles fazem a cronometragem de 1 minuto, de uma hora, de um dia. Sejamos claros, um dia tem 24 horas e temos de nos organizar para este intervalo de tempo.

Vamos então considerar um individuo que na realidade anda muito ocupado. Um individuo que exerça uma actividade laboral diária e esteja a melhorar a sua formação, isto é, que estuda. Uma das regras de uma pessoa saudável é dormir em média 8 horas por dia. Podemos considerar que se dormir algumas vezes 6 horas deve repor a falta noutro dia. Continuando, 8 horas para trabalhar, hora e meia para refeições diárias, 5 horas para ir às aulas mais 2 horas para estudar em casa, diariamente. Até aqui temos 23 horas e meia totalizadas. Não esquecer que estamos a falar de um individuo muito ocupado na realidade. Verificamos que sobra meia hora diária para outras coisas. Não consideramos o tempo despendido em deslocações. É um factor a ter em conta uma vez que a qualidade de vida é um factor preponderante para uma vida saudável. Qualquer caso em que as deslocações demorem mais de 20 minutos seja a pé ou em qualquer tipo de veículo motorizado, considero que é tempo não útil, logo quem se encontrar nestas condições deve repensar as distâncias entre os diferentes pontos que exigem nossa presença. Recordo que o nosso individuo ocupado é uma pessoa saudável e que procura uma qualidade de vida melhor. Entendo que qualidade de vida não é ter um conjunto de serviçais para realizarem tarefas por nós. É um conjunto de factores e características que nos fazem sentir saudáveis, sorridentes, descontraídos, com mais saúde, e que sejamos nós próprios a definir essa qualidade de vida, quanto baste.

Repare que até aqui ainda não falamos de actividades sociais. Só falamos de actividades que estejam directamente dependentes do individuo e não da sociedade. Nosso individuo é uma pessoa bastante ocupada. Logo é natural que nos dias uteis esteja nas suas diversas actividades. Para o fim-de-semana deixamos espaço para essas actividades sociais uma vez que não temos de exercer a actividade laboral ou ir á escola/universidade. Recordo que estas são as que dependem de nossa presença.

Estamos no fim-de-semana e devemos alargar um pouco o tempo por actividade. Fazendo o somatório de tempo por actividade, 9 horas para dormir, vamos considerar agora 2 horas para refeições, é fim-de-semana e temos de descansar, restam nos ainda um total de 22 horas livres para fazermos o que entendermos. Ora se não tivesse considerado 1 hora a mais por refeição e 1 hora a mais para repor actividade cerebral em relação aos dias úteis, tínhamos um dia completo por semana para actividades sociais. Ora está se mesmo a vêr que parece que existe qualquer coisa aqui de errado. Mas como é que aparece tanto tempo livre, num individuo muito ocupado?!Não será melhor voltarmos atrás e fazermos outra vez o somatório?! A reposta é simples, Não.

Acho que o leitor neste momento está um pouco cético com esta conversa toda. Não esteja. Repare que esta simplificação na contabilização dos tempos por actividade serviu para demostrar o tempo efectivo por actividade. Claro que há sempre atrasos ou imprevisto ou outros factores diversos. Mas nós acima de todo somos gestores do nosso tempo. As actividades descritas são aquelas que o indivíduo tem obrigatoriamente que estar presente. Por que razão, parece-lhe que o tempo não chega para nada?!… A resposta também é simples: por falta de gestão do próprio tempo.

É prática corrente não sermos educados para cumprir regras e estabelecer algum rigor. Logo nosso cérebro divaguei-a por não estar “disciplinado”. A noção da “falta de tempo” vem do tempo despendido por excesso, em relação ao tempo efectivo por actividade, não compensando o excesso, logo fazendo um somatório de excessos de tempo ficamos á margem do intervalo de tempo disponível diário, as 24 horas. Por exemplo, se sua entidade patronal necessita de mais tempo, tudo bem, mas não se esqueça que foi contratado para aquelas horas diárias. Logo o tempo excedente deve ser compensado, seja monetariamente ou privando a entidade patronal do tempo excedente noutro dia da semana. O leitor faz sua preferência. Parece conversa fíada mas repare que estamos a falar do seu tempo. E o leitor deve ser gestor do seu tempo e não ser condicionado por outros factores que não o leitor. Repare que quando está em aulas, entra na aula ao “toque da campainha”, saí também ao “toque da campainha” e existe aqui uma pequena tolerância, sensivelmente 5 minutos. Repare que não é uma tolerância contabilizada em horas mas sim em minutos. Esta tolerância serve mesmo para outros factores imprevistos. Estabeleça tolerâncias fazendo as compensações devidas.

A metodologia apresentada serviu só para estabelecer um factor comparativo com o seu dia-a-dia. Claro que outros comparativos se podem estabelecer mas que sejam coerentes com o seu dia-a-dia. Se se identificou com alguma das situações expostas, tenha a noção que precisa de definir prioridades no seu dia-a-dia. Deve ter em conta, estabelecer o seu índice de qualidade de vida. Com certeza que o leitor deseja ser um individuo saudável. Vivemos rodeados de escolhas e esquecemos das escolhas com que nos rodeamos, outras vezes fazemos por esquecer e no fim quem gere as escolhas somos nós. Temos de viver com as nossas escolhas e deixar o tempo correr. Só corre atrás do tempo quem nada pode fazer. Acima de tudo, seja gestor do seu tempo.

Pedagogia Financeira Aplicada

17/04/2012

Taxa de juro, Spread, TAN, índice de confiança, rating, indicadores, são alguns dos termos aplicados em engenharia financeira que têm definições próprias, dependendo do contexto em que estão inseridos. Para um individuo comum o não domínio destes conceitos leva muitas das vezes que tome praticas, inconscientemente, menos indicadas, levando em muitos casos á ruina financeira. Muitos são os artigos de economistas e gestores, opinando sobre os mais diferentes temas económicos, que abundam na comunicação social. Mas falta um pouco de pedagogia. Ora nem todos sabemos destas coisas e muitas das vezes as opiniões nem sempre ajudam á compreensão.

Agentes económicos abundam-nos com créditos e mais créditos sem, pedagogicamente, informarem dos custos inerentes. O propósito deste pequeno artigo é entender qual a melhor metodologia financeira na aquisição de um produto ou serviço. O que será melhor adquirir um determinado produto/serviço, isto é comprar, ou adquirir determinado produto/serviço mediante um “leasing”?!… Vejamos então dois casos práticos:

  • Comprar Serviço/produto

Após 5 anos de casamento, Paul McCartney pagou à sua mulher, Heather Mills, nada mais, nada menos que 49 milhões de dólares. Assumindo que tenham feito sexo TODAS as noites durante esses 5 anos (coisa muito improvável), a relação custou a McCartney 26.849 dólares por noite. A próxima fotografia é da Heather.

  • “Leasing” de Serviço/produto

Por outro lado, Kristen, a prostituta que apanharam com o Ex-Governador de New York , Elliot Spitzer, cobra a extravagancia de 4.000 dólares por noite. Se Paul McCartney tivesse “contratado” a Kristen durante 5 anos, ter-lhe-ia pago 7,3 milhões de dólares para ter sexo TODAS as noites (coisa bastante provável), com uma poupança total de 41,7 milhões de dólares. A próxima fotografia é da Kristen.

Tendo em conta o valor acrescentado desta operação, á que considerar que Kristen tem 22 anos, nunca tem dores de cabeça, faz tudo o que lhe pedires, não se queixa, não te faz nada que não desejes. Tudo isto, por uma sétima parte do custo total, sem encargos adicionais.

Como vêem, a lógica financeira é indesmentível: A operação de compra tem em conta diversos factores de influência, nomeadamente disponibilidade financeira imediata. Por outro lado a operação “leasing”, apesar das semelhanças de uma operação de aquisição imediata e prolongada no tempo, trata se de uma operação ponderada, analisando todas as variáveis adjacentes. O “leasing” é uma operação financeira mais lógica e racional, do que a compra.

TDT – Oportunidade mas para alguns

15/04/2012

ImagemA implementação da Televisão Digital Terrestre é uma consequência de uma directiva da União Europeia, com o objectivo de libertar espectro electomagnético em toda a Europa. Como o espectro electromagnético está saturado com os mais diversos serviços de telecomunicações, neste novo sistema de distribuição de sinal de televisão passamos a ter espaços radio-eléctricos disponíveis para a implementação de novos serviços de dados, nomeadamente Internet móvel baseado em LTE. Vamos já desfazer o mito: o 4G não é a mesma coisa que LTE, segundo a 3GPP. A premissa do LTE é menor latência nas comunicações e obviamente maior velocidade na transferência de dados, em sistemas móveis celulares. Para meu espanto, porque motivo se vende uma coisa que não o é?! A futura tecnologia 4G(de quanta geração) é um sistema de comunicações móveis para sistemas celulares  baseado em LTE Advanced, segundo a 3GPP. Este último ainda não se encontra definitivamente standarizado mas prometendo velocidades até 1Gbits/s, em baixa mobilidade.

Mas, voltando á TDT, vamos entender algumas siglas correntes. Este sistema é baseado na tecnologia DVB-T com norma para a codificação do vídeo em MPEG4-H262, em Portugal, e o som em AAC. Com esta tecnologia é possível transmitir canais com definição SD (576 pixeis) e HD (720 pixeis), por opção em Portugal e com som surround. Para aqueles que andam confusos com estas terminologias, o DVB-T é um conjunto de regras que permite transmitir dados digitais, o MPEG4-H262 é um sistema de codificação de sinal de vídeo, permitindo enviar mais informação digital com menos espectro, optimizando a mensagem digital. SD e HD tem haver directamente com a largura da imagem que é transmitida, medindo a sua definição pela largura de tela. Por ultimo o AAC é um codificador de sinal de som, idêntico ao conhecido MP3 mas mais eficiente, isto é, melhor qualidade com menos bits necessários.

Todas estas terminologias referem se a tecnologias de ponta e que envolvem mais processamento, logo os equipamentos descodificadores (Set_Top_Box) também são mais caros comparativamente com outras normas de codificação. Na Europa a implementação da televisão digital terrestre foi um processo gradual, que demorou em alguns países vários anos, alguns 10 anos, e fortemente apostados na disponibilização de novos serviços, televisão não paga, televisão com subscrição e promovendo a distribuição de canais de televisão digital tanto de âmbito nacional, regional e local. No geral a oferta de pacotes de canais de televisão é bastante diversificada.

A implementação da TDT em Portugal foi um processo estranho e não menos transparente. A anterior oferta de canais, em sinal analógico, mantém se, inovando só no guia de programação de canais. Por outro lado não entendo, com a massificação dos televisores de LCD com formato 16:9, se opte por transmitir conteúdos em formato 4:3, distorcendo a proporcionalidade das imagens. Alem disso a pouco informação da fase de transição, de 2009 a Abril de 2012, foi parca acompanhada de uma publicidade de igual modo parca, sendo em alguns casos tendencialmente ameaçadora. A oferta de canais temáticos, ainda que seja do operador publico de televisão, é uma questão que definitivamente não está em cima da mesa.

Com uma publicidade agressiva e em muitos casos enganadora o numero de novos clientes para serviços de televisão digital paga cresceu exponencialmente. Como um simples espectador e consumidor de televisão pode constatar que a entidade reguladora para o efeito teve e continua a ter um comportamento de uma avestruz padecendo de uma patologia ensurdecedora.

Estamos a menos de 2 semanas do termino de uma revolução (televisão analógica policromática) que mudou as nossas vidas e o mundo. O que outrora se mostrava com orgulho e audácia, hoje a troco de umas dezenas largas anuais de euros, por cliente, de serviços de televisão, oculta se o que de mais inovador e tecnologicamente avançado existe, relativo á televisão digital terrestre, cegando a cega sociedade em que vivemos.

Sex-addict

05/03/2012

No início deste mês de Março estreou o filme “Shame“, de S. Mcqueen, um filme polémico pelo seu teor softcore, mas também por abordar um tema desconfortável, o da adição masculina ao sexo. De fato, o código genético dos homens torna-nos um pouco pavlovianos nesta matéria e a utilização hodierna e até à exaustão da figura da mulher-objecto, de forma cada vez mais sofisticada, difusa e intensa na publicidade, na moda, na ciber-pornografia e nos media em geral acaba por acicatar e reforçar ainda mais esta tendência masculina. O problema maior, porém, sucede quando, de tendência, se torna em vício.

Pedro abrunhosa ou David fonseca já tinham abordado esta temática, de forma muito direta, nas suas canções “Diabo no Corpo” e “Sex Freak”, onde o primeiro diz “Escondo um louco no meu corpo”e o segundo “Everything I think ends up in sex” , mas no cinema ninguém o tinha feito de forma tão indiscreta como “Shame”. Brandon, o seu protagonista, é um yuppie bem sucedido viciado em pornografia, prostitutas e “one-night stands” até ao dia em que o seu vício é confrontado pela sua irmã que, contra a sua vontade, o tenta ajudar. O filme mostra-nos o inferno interior, a degradação humana e a solidão em que a personagem se confronta depois de satisfazer momentaneamente o seu vicio. Interessante também a adaptação de Peter Gabriel a uma música dos Arcade Fire intitulada “My body is a cage”, onde numa balada triste se diz  “Meu corpo é uma prisão que me impede de dançar com aquela que amo”.

Como refere Cesare Guerreschi, no seu livro “As novas dependências” hoje “existe (….) um paradoxo: a nossa sociedade fundamenta-se na não-dependência, no entanto, a dependência (…) é de tal modo incentivada, que se torna no ar que se respira sem se dar conta. No caso dos homens esta dependência traz muitas e graves consequências negativas quer ao nível da realização pessoal, levando a depressões; quer ao nível famíliar, estando por detrás de muitos abortos, pedofilias, divórcios, etc; quer ao nível económico (falências, má gestão e baixa produtividade laboral), quer, por fim, até ao nível político, ao arruinar carreiras (veja-se o caso de Strauss-Kahn) e isto já para não falar no caso do malogrado comandante do cruzeiro do Costa Concordia, seduzido pela sua atraente amante moldava.

A utilização do sexo como forma de manipulação do homem é algo de assustador e preocupante porque pode arruinar uma vida. Como alguém dizia, em relação ao corpo do homem, ou este o domina ou se deixa dominar. No entanto, há um erotismo bom, uma forma de atracção do corpo em que este não se torna motivo de escravidão mas sim de sublimação e elevação. Por exemplo, o livro “Cântico dos Cânticos” mostra-nos precisamente o amor carnal como manifestação e participação do próprio amor divino que nos dá a felicidade.

Mas, como dizia a recentemente falecida Whitney Houston, o pior inimigo reside no pior que há dentro de cada um.

P.S.- Aqui fica a balada lindíssima de Peter Gabriel

Serviço Público

31/01/2012

Instalou-se na sociedade o conceito de segurança perverso. Esta segurança garantida pelo poder político como arma de exercício de poder permitia o planeamento de um futuro próspero. Ao funcionalismo público era garantido melhor renumeração, melhores condições de trabalho e garantida segurança no posto de trabalho. Por outro lado ao funcionalismo não público nunca foi dada a oportunidade de este se prosperar, tornando palco de pouca disputa e muito compadrio a quem fosse alocado nos meandros do Estado. Aliás a sociedade em Portugal sempre foi dividida em três classes distintas: os ricos, aqueles que exercem qualquer tipo de poder, os portugueses, aqueles que se encontram no funcionalismo público e os outros, aqueles que são vistos como portugueses de segunda. Para quem dúvida desta simplória classificação basta olhar para as manifestações do sector público, caracterizando-as como manifestações dos portugueses. Aliás as “pontes” ao trabalho são práticas do funcionalismo público e não dos “outros”. Aos “outros” nunca foi permitida “honrosa” prática.

Durante muitos anos se implementaram práticas de pouco serviço público, uma vez que, independentemente da produtividade no trabalho, a segurança no mesmo era sempre garantida. Os “outros” na realidade, faziam o dito serviço público uma vez que “alinhavam” na latência das estruturas públicas, fazendo se cumprir como portugueses de primeira. Por curioso, aquando da “entrada” da austeridade é pedido aos “outros” que se comportem como “os muito ricos” uma vez que noutros tempos tinham comportamentos irresponsáveis levando o Estado á falência técnica. É o reverso da medalha daqueles que não querem assumir as suas responsabilidades. É perversa toda esta realidade uma vez que aos que “tinham poder” na realidade só se preocuparam em ter mais poder, ficando como espectadores no teatro encenado por “os outros” e por os “portugueses”. O serviço público sempre foi visto como um alocador de colaboradores e não como uma prática para o bem comum, típico de uma sociedade com deficiente formação. Numa radical mudança “teatral”, hoje ao parco serviço público é diminuída a sua actividade, aluziando como um despesismo do sector Estado, incentivando “os outros” a pagar, mesmo com fracos recursos, todas e mais algumas mordomias aqueles que exercem o poder. Aos portugueses por sua vez também é pedida esta “solidariedade”. O que em tempos era segurança hoje também se tornou mais precário.

Conceitos elaborados como produtividade, competitividade e outros terminados em “ividade” são hoje apregoados como soluções para um futuro mais próspero, numa sociedade que não entende minimamente a definição de elaborados conceitos. A educação e a formação devem ser a arma da prosperidade desde que na realidade se eduque e se forme e não se atribuam demagógicos certificados iludindo competências de uma melhor educação e melhor formação. Com a atribuição destas falsas competências a definição dos conceitos elaborados nunca é entendida, utilizando-se práticas contrárias a estes conceitos.

O que uma bela Moldava pode provocar…

30/01/2012
O que uma distracção causada por uma noite supostamente romântica, uma aventura extra-matrimonial, com uma bela e atraente moldava pode provocar…
– 17 mortos e vários feridos.
– 73 milhões de euros de prejuízos directos decorrentes dos danos causados no barco.
500 milhões de euros em indemnizações.
– danos ambientais.
– danos psicológicos a centenas de pessoas.
– Vidas arruinadas para o resto, incluindo a do próprio capitão.
– Etc, etc.
Um santo do nosso século, S.José Maria escreveu um dia uma coisa parecida com isto “De que tu e eu sejamos fiéis (nas pequenas coisas) dependem muitas coisas grandes”
Neste caso, é mesmo “grande”:
Nem mais…

Estado de Sono Profundo

28/01/2012

Recorrentemente é notícia na comunicação social que diversas autarquias ponderam o corte de iluminação pública em diversos pontos de seus concelhos. Uns mais audazes, alegando razões económicas, já se adiantaram nesta revolução fomentando às populações um estado de “sono profundo”, instigando assim a um “recolher obrigatório”, por um período de algumas horas. Fazendo uma análise económica, é previsível que a economia tenda a piorar, sendo obrigatório aumentar o período de “sono profundo”. Por um lado olhando para o calendário deparo-me que estamos no seculo XXI. Ora o que até á alguns anos atrás o seculo XXI era o seculo da revolução técnica/ideológica parece que afinal essas previsões estavam completamente erradas, uma vez que práticas do dia-a-dia penhoravam o futuro. Entendo que afinal o Homem que se impôs a todos os outros seres na fase da Terra, tornando-se o maior predador, agora não consegue acompanhar as mudanças impostas pelo mesmo. Temos a revolução tecnologia que permite ter uma melhor qualidade de vida mas o Homem, afinal, não tem capacidade de superar os impactos que a mesma tecnologia lhe proporcionou. Por outro lado, actuais concelhos pertencendo á zona de influência das antigas SCUTS, alegam argumentos para a não cobrança do respetivo dízimo enquanto outras alternativas não tiverem as devidas condições de segurança. Pergunto, porque será que aquando da implementação do novo estado de “sono profundo”, as mesmas não implementam outras alternativas que garantam a segurança a um estado de sono mais profundo? Não entendo e não consigo descobrir a logica de atitude deste contrassenso de posições. Talvez a única coisa que leva o homem a ter posições sem nexo seja o “guito” (denominação utilizada por toxidependentes para a palavra dinheiro). Dizem por aí que dinheiro é poder, mas parece que dinheiro afinal, é a droga que leva a um estado de dependência de poder, tendo como efeito secundário a dependência de mais poder. A cura a esta dependência ainda não foi encontrada mas também não há interesse. A patologia desta dependência leva a que o homem perca a capacidade criativa anterior á mesma, ficando reduzido á dependência por mais poder.

Afinal o apagão não é só tecnológico mas sim um apagão ideológico que começou há pelo menos uma década e se manterá por tempo indeterminado.