Posts Tagged ‘Histórias e Lendas’

LENDA DA PRINCESA FÁTIMA

14/02/2009

Fátima, jovem e bela princesa moura, era filha única do emir, que a guardava dos olhos dos homens numa torre ricamente mobilada, tendo por companhia apenas as aias e, entre elas, a sua preferida e confidente Cadija.

Apesar de estar prometida a seu primo Abu, o destino quis que Fátima se apaixonasse pelo cristão que seu pai mais odiava, Gonçalo Hermingues, o “Traga-Mouros”, o cavaleiro poeta que nas suas cavalgadas pelos campos via a bela princesa à janela da torre. Rapidamente o coração do cavaleiro cristão se encheu daquela imagem e sabendo que a princesa iria participar no cortejo da Festa das Luzes, na noite que mais tarde seria a de S. João, preparou uma cilada de amor.

No impressionante cortejo de mouras e mouros, montando corcéis lindamente ajaezados, Fátima era vigiada de perto por Abu. De repente, os cristãos liderados pelo “Traga-Mouros” saíram ao caminho e Fátima viu-se raptada por Gonçalo. Mas Abu depressa se organizou e partiu com os seus homens em perseguição dos cristãos e a luta que se seguiu revelou-se fatal para o rico e poderoso Abu. Como recompensa pelos prisioneiros mouros, Gonçalo Hermingues pediu a D. Afonso Henriques licença para se casar com a princesa Fátima, a que o rei acedeu com a condição que esta se convertesse.

A região que primeiro acolheu os jovens viria a chamar-se Fátima, mas a princesa, já com o nome cristão de Oureana, deu também o seu nome ao lugar onde se instalaram definitivamente, a Vila de Ourém.

Lenda retirada do Site: Lendas de Portugal

Anúncios

LENDA DA FONTE DA MOURA

07/02/2009

A muito antiga Fonte da Moura que ainda hoje existe nos arredores de Santarém tem na origem a história da perseguição dos Mouros por D. Afonso Henriques, após a conquista da cidade. Um grupo de cavaleiros, liderado pelo jovem rei, seguia já há dias pelos campos quando, cheios de sede, procuraram uma fonte.

Foi então que surpreenderam uma jovem moura fugitiva que ao ser questionada onde ficaria a fonte mais próxima lhes disse que era muito longe, acrescentando em tom de desafio que se o Deus dos cristãos era tão poderoso que fizesse nascer ali mesmo uma fonte. Talvez então ela se convertesse.

D. Afonso Henriques desceu do cavalo e retirou-se para rezar e, de repente, ouviu-se um som surdo e viu-se um jacto de água límpida e fresca que formou um pequeno regato. Os cavaleiros ajoelharam-se perante o milagre e a jovem moura, que chorava de emoção, prometeu dedicar a sua vida ao Deus cristão. A fonte ficou para sempre conhecida como a Fonte da Moura.

Lenda retirada do site Lendas de Portugal

LENDA DA MOURA DO RIBEIRO DAS FONTAINHAS

31/01/2009

Na margem direita do ribeiro das Fontainhas, que corre a Poente da freguesia, existe um grande penedo. Nele, devido à acção da erosão, abre-se uma pequena gruta. O povo de Segura chama-lhe a Cova da Moura.

Quem depois do pôr-do-sol se aproximar do penedo, ouvirá, como vinda de muito longe, do interior da rocha ou das profundezas da terra, uma guisalheira infernal, produzida pelo som de muitas e diferentes campainhas. É o sinal do aparecimentodo Moura.

E diz a lenda, que se o curioso, que a visitar persistir em descobrir o segredo da rocha, mesmo depois de ouvir a guisalheira, pagará com a vida o atrevimento, porque a Moura o esmagará com uma enorme cacheira de ferro.

O porquê deste proceder da estranha criatura, que ao contrário de outras suas irmãs espalhadas por todo o Portugal, prefere o isolamento à quebra do feitiço, ignora-o o povo de Segura que embora receie a Moura do penedo, continua a afirmar que nenhuma há mais bela ou mais linda.

fonte: site da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova

LENDA DAS AMENDOEIRAS EM FLOR

03/01/2009

Há muito tempo, antes da independência de Portugal, quando o Algarve pertencia aos mouros, havia ali um rei mouro que desposara uma rapariga do norte da Europa, à qual davam o nome de Gilda.

Era encantadora essa criatura, a quem todos chamavam a “Bela do Norte”, e por isso não admira que o rei, de tez cobreada, tão bravo e audaz na guerra, a quisesse para rainha.

Apesar das festas que houve nessa ocasião, uma tristeza se apoderou de Gilda. Nem os mais ricos presentes do esposo faziam nascer um sorriso naqueles lábios agora descorados: a “Bela do Norte” tinha saudades da sua terra.

O rei consegui, enfim, um dia, que Gilda, em pranto e soluços, lhe confessasse que toda a sua tristeza era devida a não ver os campos cobertos de neve, como na sua terra.

O grande temor de perder a esposa amada sugeriu, então, ao rei uma boa ideia. Deu ordem para que em todo o Algarve se fizessem plantações de amendoeiras, e no princípio da Primavera, já elas estavam todas cobertas de flores.

O bom rei, antevendo a alegria que Gilda havia de sentir, disse-lhe:

– Gilda, vinde comigo à varanda da torre mais alta do castelo e contemplareis um espectáculo encantador!

Logo que chegou ao alto da torre, a rainha bateu palmas e soltou gritos de alegria ao ver todas as terras cobertas por um manto branco, que julgou ser neve.

– Vede – disse-lhe o rei sorrindo – como Alá é amável convosco. Os vossos desejos estão cumpridos!

A rainha ficou tão contente que dentro em pouco estava completamente curada. A tristeza que a matava lentamente desapareceu, e Gilda sentia-se alegre e satisfeita junto do rei que a adorava. E, todos os anos, no início da Primavera, ela via do alto da torre, as amendoeiras cobertas de lindas flores brancas, que lhe lembravam os campos cobertos de neve, como na sua terra.

LENDA DO PEGO DA CARRIÇA – SÃO B. MESSINES

27/12/2008

    Nos limites da freguesia de Messines com a freguesia de S. Marcos há o Pego da Carriça.
      Em certa noite passou um rapaz junto ao Pego. Levava ele a sua guitarra, pois ia para um divertimento. Ouviu ele as seguintes palavras:
      – Aproxima-te e toca a tua guitarra.
      O rapaz era folgazão, e como a voz vinha do pego, aproximou-se deste e pôs-se a tocar.
      Em seguida ouviu:
      – Não repares em coisa nenhuma por mais extraordinária que seja.
      O rapaz viu então um porco a dançar, na sua presença, ao som da guitarra; e logo a seguir, viu um touro, fazendo o mesmo, e mais logo uma serpente que se pôs também a dançar. O rapaz ria-se a valer, mas quando a serpente dele se aproximou, enroscando-se às pernas, e alçando a cabeça no manifesto intuito de o beijar, o rapaz deu um grito e disse:
      – Valha-me Maria Santíssima.
      A serpente desapareceu; e então a mesma voz exclamou:
      – Ah, ladrão, que dobraste o meu encanto!
      – Que mal fiz? Perguntou o rapaz.
      – Minha irmã ia dar-te um beijo, e era só o que lhe faltava para ficarmos todos desencantados.
      O que ela queria era tirar-me os santos óleos, que recebi no meu baptismo, atalhou o rapaz.
      – Pois sim; mas fica sabendo que se ficaste com vida, a ela agradece. Perdeste grandes tesouros que estavam reservados para ti.
      O rapaz, cheio de medo, tratou de largar campo para favas e nunca mais por ali passou.

Oliveira, Ataíde. Monografia de São Bartolomeu de Messines. Algarve em Foco Editora, 1909.

LENDA DO PEGO ESCURO

20/12/2008

  «Nos princípios do século passado morava nas proximidades do Pego Escuro um lavrador, que possuía muito gado, e tinha por isso criadores ao seu serviço. Um deles estava especialmente encarregado de guardar as vacas. Em certa noite foi o guardador em procura de uma vaca que se safara da Alpendurada, e viu que, horas depois, a vaca entrara no estábulo muito farta. O guardador preveniu o patrão e ambos a espreitaram nas noites seguintes. Em certa noite repetiu-se a cena: a vaca desprendeu-se da manjedoura, saiu, e voltou horas depois muito farta. Então resolveu-se o lavrador seguir a vaca, quando novamente a cena se repetisse. Uma noite, a vaca saiu, e o amo e o criador, acompanhando-a de longe viram que o animal se dirigia ao Pego Escuro; e logo, viram também que a água do pego se abrira, dando assim fácil entrada à vaca. Ficaram pasmados, e na noite seguinte, porque o criador tinha medo, foi a vaca somente vigiada pelo lavrador. Esperou o lavrador que a vaca saísse do pego, e nesse momento, uma voz dizia:
      – Aí tens a tua vaca pesada. Daqui a pouco tempo parirá dois bezerrinhos: um estrelado e outro mourato. No fim de um ano junte-os ao arado e trá-los a este pego. É preciso que ninguém veja o leite da vaca enquanto criar os bezerrinhos.
      O lavrador ouviu tudo perfeitamente e resolveu cumprir os desejos da voz oculta.
      Tempos depois, a vaca pariu dois bezerrinhos, e o lavrador proibiu que alguém tratasse da vaca. Era ele que tratava a fim de que ninguém visse o leite. Pareceu estranho à mulher do lavrador o preceito imposto pelo marido ao criado. Na primeira ocasião azada aproximou-se da vaca e pôs-se a ordenha-la.
      Com a presa caiu algum leite sobre as mãos da lavradeira, que logo as limpou no pêlo do bezerro moirato, que era o que lhe ficava mais próximo.
      Logo que os bezerrinhos fizeram um ano, o lavrador lançou-lhes a canga e conduziu-os, jungidos ao arado, para o Pego Escuro. Chegou, a água abriu-se, e os animais entraram, ficando o lavrador de fora a espreitar. Viu ele os bezerros, no fundo do pego, darem uma volta, e a chapa do arado encravar-se numa grande caixa, cheia de dinheiro em ouro. Ao mesmo tempo ouviu a voz, que gritava:
      – Força moirato, força moirato!
      O bezerro moirato fraquejou.
      Então ouviu a mesma voz:
      – Ai, ladrão, que me dobraste o encanto! Perdeste o dinheiro. Alguém viu o leite da vaca!
      Os bezerros não puderam sair do pego. O lavrador retirou-se para casa, triste e apoquentado. Soube pela mulher que ela fora a causa de não ficarem riquíssimos.»

fonte: Oliveira, Ataíde. Monografia de São Bartolomeu de Messines. Algarve em Foco Editora, 1909.

LENDA DA TOMADA DE SILVES AOS MOUROS

13/12/2008

Reinava em Silves o inteligente e corajoso rei mouro Ben-Afan que numa noite de tempestade, no intervalo das suas lutas contra os cristãos, teve um sonho extraordinário. Um sonho que começou por ser um pesadelo, com tempestades e vampiros, mas que se tornou numa visão de anjos, música e perfumes e terminou pelo rosto de uma mulher, divinamente bela, com uma cruz ao peito.

No dia seguinte, Ben-Afan procurou a fada Alina, sua conselheira, que lhe revelou que tinha sido ela própria a enviar-lhe o sonho e que a sua vida iria mudar. Deu-lhe então dois ramos, um de flor de murta e outro de louro, significando respectivamente o amor e a glória. Consoante os ramos murchassem ou florissem assim o rei deveria seguir as respectivas indicações.

Enviou-o ao Mosteiro de Lorvão e disse-lhe que lá o esperava aquela que o amor tinha escolhido para sua companheira: Branca, princesa de Portugal. Para entrar no mosteiro, Ben-Afan disfarçou-se de eremita e o primeiro olhar que trocou com a princesa uniu-os para sempre. O rei mouro voltou ao seu castelo e preparou os seus guerreiros para o rapto da princesa. Branca de Portugal e Ben-Afan viveram a sua paixão sem limites, esquecidos do mundo e do tempo. O ramo de murta mantinha-se viçoso, até que um dia D. Afonso III, pai de Branca, cercou a cidade de Silves e Ben-Afan morreu com glória na batalha que se seguiu. Nas suas mãos foram encontrados um ramo de murta murcho e um ramo de louro viçoso.

Lenda retirada do site Lendas de Portugal

LENDA DA MOURA CASSIMA

06/12/2008

Esta lenda passa-se em 1149, na véspera da reconquista de Loulé aos Mouros pelo Mestre D. Paio Peres Correia
Loulé estava sob domínio dos mouros e seu governador tinha três belas filhas Zara, Lídia e Cassima que era a mais nova.

Quando D. Peres se encontrava no exterior da muralhas da cidade pronto para conquistar a cidade, o governador levou as suas filhas até uma fonte onde as encantou, com o objectivo de as preservar de um possível cativeiro. Contudo o governador nessa noite conseguiu fugir para Tânger deixando as suas filhas para trás.

Mas este não conseguia viver feliz ao pensar na pouca sorte das suas pobres filhas. Até que num certo dia apareceu em Tânger um “carregamento” de escravos vindos de Portugal onde se encontrava um homem de Loulé, que o governador não hesitou em comprar.

Já no palacete o mouro perguntou ao Carpinteiro se ele não gostaria de voltar para perto da sua família, este sem perder um segundo disse que sim. Logo o mouro pegou num alguidar cheio de água dizendo ao louletano para ele se colocar de costas para o alguidar e saltar para o outro lado, prevenindo-o que se caísse dentro da água iria-se afogar no oceano, dando-lhe 3 pães (pães esses que continham a chave para o desencantamento das mouras) diz-lhe o que fazer com eles a fim de libertar as suas lindas filhas do encantamento a que foram sujeitas. O carpinteiro salta e como num passe de mágica chega a sua casa abraçando a sua mulher, logo de seguida ele vai até um canto da casa e esconde os 3 pães dentro de um baú.

Passado algum tempo mulher descobre os pães e fica desconfiada por ele estarem escondidos, então ela pega numa faca afim de ver se há alguma coisa dentro deles, espetando a faca num de imediato ela ouve um grito e as suas mãos enchem-se de sangue vindo do interior do pão.

Na véspera de S. João (dia para o encantamento ser quebrado) o carpinteiro estava indiferente à animação pois só pensava em cumprir a promessa por ele feita ao ex-governador, logo que pode pegou nos pães e foi até fonte. Chegando a altura certa este atira o 1º pão para a fonte e grita por Zara, a mais velha das irmãs e uma figura feminina sobe no espaço e desaparece diante dos seus olhos. Logo de seguida atira o 2º e grita por Lídia volta a aparece-lhe outra bela rapariga que desaparece no ar diante dele. Por fim atira o 3º e grita pela filha mais nova do ex-governador, nada acontece, ele volta a grita por Cassima e uma jovem moura aparece-lhe agarrada ao gargalo da fonte, que lhe diz que não pode sair dali devido a curiosidade da sua esposa. Ele pede-lhe desculpa em nome da sua pobre mulher, esta diz que a perdôa e que tem uma coisa para a mulher deste pois jamais poderá sair daquela fonte e atira um cinto bordado a ouro para as mãos do carpinteiro, enquanto desaparece no interior da fonte…

No caminho o Carpinteiro para ver melhor a beleza do cinto coloca-o em redor de um troco de um grande carvalho, mas de imediato a arvore cai por terra, cortada cerce pelo cinto fantástico.

Benzendo-se e rezando o carpinteiro compreende tudo: Cassima dera-lhe o cinto apenas para se vingar! Sua mulher ficaria cortada ao meio, como o carvalho gigantesco!…

Este correu para casa abraçou a mulher e nessa noite não consegui pregar olho com medo que a moura ali aparece-se, mas isso nunca aconteceu. Tal como a moura Cassima lhe dissera não mais poderia sair da fonte. Apenas por vezes, segundo se diz – principalmente nas vésperas de S. João – ela consegue agarrar-se ao gargalo da fonte, e mostrar sua beleza, e chorar a sua dor aos que se aventuram por até lá….

Retirado do site Lendas de Portugal

LENDA DAS TRÊS GÉMEAS DE SILVES

29/11/2008

No tempo em que Silves pertencia aos Mouros, vinha o rei Mohamed a passear a cavalo quando encontrou um destacamento do seu exército que trazia reféns cristãos. Entre estes estava uma lindíssima jovem, sumptuosamente vestida, acompanhada da sua aia, filha de um nobre morto durante o saque ao seu castelo. Mohamed ordenou que a nobre dama fosse levada para o seu castelo, onde a rodeou de todas as atenções, e lhe pediu que abraçasse a fé de Maomé para se tornar sua mulher. A jovem chorou de desespero porque Mohamed não lhe era indiferente, mas a sua aia encontrou a solução: ambas renegariam a fé cristã apenas exteriormente para agradar ao rei mouro e possibilitar o casamento.

Passado algum tempo, nasceram três gémeas a quem os astrólogos auspiciaram beleza, bondade e ternura, para além de inteligência, mas avisaram o rei que este deveria vigiá-las quando estas chegassem à idade de casar. O rei não as deveria confiar a ninguém. Passaram alguns anos e a sultana morreu, ficando a aia, que tinha tomado o nome árabe de Cadiga, a tomar conta das jovens. Quando estas eram adolescentes o rei levou-as para um castelo longe de tudo, onde havia apenas o mar por horizonte. As princesas tornaram-se mulheres, mas embora gémeas tinham personalidades muito diferentes. A mais velha era intrépida, curiosa, porte distinto e de olhar insinuante e profundo. A do meio era a mais bela, de uma singular beleza e apreciava tudo o que era belo, as jóias, as flores e os perfumes caros. A mais nova era a mais sensível. Tímida e doce, passava horas a olhar o mar sob o luar prateado ou o pôr-do-sol ardente.

Um dia, contra todas as indicações do rei aportou perto do castelo uma galera com reféns cristãos, entre os quais se salientavam três jovens belos, altivos e bem vestidos. Curiosas, as princesas perguntaram a Cadiga quem eram aqueles homens de aspecto tão diferente dos mouros. Cadiga respondeu-lhes que eram cristãos portugueses e contou às princesas tudo sobre o seu passado. Como as princesas começaram a ficar demasiado interessadas com os jovens cristãos, Cadiga pediu ao rei que levasse as filhas para junto de si, sem lhe explicar a razão. Cavalgavam as princesas com o rei e o seu séquito a caminho de Silves quando se cruzaram com os três cativos cristãos que não respeitaram a ordem de baixarem o olhar. As princesas quando os avistaram levantaram os véus e o rei, furioso, mandou castigar os cristãos insolentes. As princesas ficaram muito tristes mas conseguiram convencer Cadiga a arranjar maneira de se encontrarem com os jovens cristãos. A paixão violenta desencadeada por aquele encontro foi alegria de pouca dura. Os três cristãos foram resgatados pelo rei português e iriam embora em breve. As princesas dispuseram-se a segui-los e a converterem-se à fé cristã antes de casarem com os nobres cristãos. Cadiga rejubilava por conseguir resgatar para a fé que secretamente professava as filhas da sua ama. Foi então que a princesa mais nova se recusou a partir e a abandonar o pai. Ficou para trás e, conta a lenda, morreu de tristeza pouco tempo depois. A sua alma ainda hoje se lamenta e chora na torre do castelo nas noites sem luar.

Retirado do site Lendas de Portugal

Lenda do Almocreve de Estoi

10/11/2008

Olá a todos!

Para dar inicio ao novo blogue e para fazer juz ao nome do mesmo fica aqui registado o relato da lenda do Almocreve de Estoi.

O almocreve José Coimbra, conhecido também por Ti Zé da Serra, percorria habitualmente, com o seu burrinho, os caminhos do Algarve. Um dia ao passar junto das ruínas de Milreu, perto de Estoi, encontrou uma bela moura encantada vestida com um manto de princesa que lhe sorriu. Fascinado, seguiu a moura até que ela chegou a um sítio onde bateu com o pé no chão três vezes e um alçapão se abriu. Desceram ambos por uma escadaria de mármore até uma sala enorme revestida a ouro onde a moura o deixou só por um instante antes de surgir acompanhada por um leão e uma serpente, seus irmãos encantados.

A bela moura prometeu-lhe o palácio e todo o seu ouro se ele quebrasse o encanto: teria que ser três vezes engolido e vomitado pelo leão e três vezes abraçado pela serpente. O corpo do almocreve ficaria em chaga e finalmente a moura o beijaria na fronte para lhe retirar os santos óleos do baptismo. O almocreve pediu-lhe para pensar e a moura deixou-o partir com duas barras de ouro.

José Coimbra voltou para casa e tentou esquecer o episódio, mas passado pouco tempo começou a empobrecer, ficando na mais absoluta miséria. Decidiu então vender as duas barras de ouro que tinha escondido, mas quando as olhou logo ficou cego. Como última esperança, resolveu consultar um especialista de olhos em Faro. Ao passar por Estoi, apareceu-lhe a moura que o acusou de ter faltado à promessa de lhe dar uma resposta. A moura só lhe tinha poupado a vida porque ele nunca tinha revelado o segredo daquele encontro. O almocreve chorou sinceras lágrimas de arrependimento, comovendo a moura que decidiu perdoar-lhe e devolver-lhe a visão. Conta-se que o almocreve nunca mais voltou a passar por Estói, onde ainda hoje uma moura e os seus irmãos esperam por quem os queira desencantar.

Lenda retirada do site: Lendas de Portugal