Posts Tagged ‘Moura Encantada’

10.000 VISITAS

26/08/2009

Dez meses após a criação do Blog Moura Encantada, chegou-se hoje às 10.000 visitas, registando-se diariamente uma média de 40 entradas.

A todos aqueles que têm sido visitantes assíduos do Moura Encantada, o meu muito obrigado.

LENDA DA MOURA DOS PÉS DESCALÇOS

21/02/2009

Há uma lenda pouco conhecida que conta uma história que dizem ter acontecido no interior algarvio, na zona da Serra do Caldeirão.

Antes do nascer do sol, numa manhã de S. João, um pastor que andava por um vale viu uma formosa donzela sentada no gargalo de um poço, que lhe acenou. Ele aproximou-se. Perguntou-lhe o que fazia ali sentada àquela hora da manhã e ela, batendo os pés descalços na água, disse-lhe que estava à espera de quem lhe trouxesse os seus sapatos, para poder regressar ao seu país.

Em contrapartida, quem lhe levasse os sapatos seria grandemente recompensado e, parando de bater os pés, retirou da parede do poço atrás das suas pernas duas grandes esmeraldas que mostrou ao pastor. “Onde estão os teus sapatos?” perguntou-lhe o homem já só vendo as esmeraldas na sua frente. “Isso terás tu de descobrir. Mas será no ano que vem, pois agora tenho de me ir embora”. Respondeu-lhe a donzela e, antes do sol começar a aparecer por cima do horizonte, saltou para dentro do poço e desapareceu como num passe de magia.

O homem ainda procurou as jóias, mas não as encontrou. Foi para casa muito perturbado e contou à mulher o que lhe acontecera. Esta aconselhou-o a, no ano seguinte, levar uns sapatos seus. O homem assim o fez. Quando chegou ao poço já a donzela lá estava a bater os pés na água. Ela disse-lhe o mesmo que no ano anterior e voltou a mostrar-lhe as jóias. O pastor deu-lhe os sapatos que levava, mas ela recusou-os dizendo que não eram os seus. O homem insistiu, mas de nada adiantou. Por fim, rendido, voltou a perguntar-lhe onde estavam os seus sapatos, mas a donzela não respondeu, apenas parou de bater os pés e ficou longamente a olhar para a água. O homem irritou-se, pois o céu estava a clarear e ela não lhe respondia. Voltou a perguntar uma e outra vez, mas a donzela mantinha-se imóvel a olhar para a água do poço. O pastor não queria ter de esperar mais um ano para ter as suas esmeraldas. Assim, puxou a moura para fora do poço para lhe poder roubar as esmeraldas antes que desaparecessem com ela ao nascer do sol. Mas, no momento em que os seus pés saíram da água começaram a desfazer-se em salpicos de água e, em pouco tempo, todo o seu corpo se desfez em água na frente do homem.

Este, perturbado, procurou as jóias onde ela estava sentada, mas não as encontrou, acabou por destruir todo o gargalo à procura das jóias, mas não as encontrou. Por fim, cansado, debruçou-se sobre a água para beber um pouco e foi quando viu dois sapatinhos verdes alinhados no fundo do poço. Diz quem lá vive que nas manhãs de S. João ainda é possível ver os sapatos verdes no fundo do poço, esperando pelo regresso da sua dona.

Autor: IS

LENDA DA MOURA ENCANTADA DE ALFACE

24/01/2009

Esta é uma história que já contavam os avôs dos meus avôs e aconteceu no lugar de Alface, na freguesia de Estoi.

Um dia, um homem, passeava por um campo onde só floresciam pedrinhas, pedras e pedregulhos. Contudo, para seu grande espanto, viu uma pequena planta quase sem folhas, com um ar muito frágil e quebradiço, a desabrochar numa pequena fenda no topo de uma grande rocha. Trepou pela rocha para ver melhor a planta e sentiu a necessidade de lhe tocar. Nesse instante, ouviu uma voz feminina que parecia sair do pequeno tronco que agora tremia, apesar de não haver vento: “Alimenta-me e acarinha-me durante um ano. Fala só para mim e para mais ninguém, dá-me leite todos os dias e alguns dias o teu sangue e logo serás recompensado”.

O homem, muito assustado, saiu dali a correr, mas a voz parecia segui-lo, continuava a ouvir aquelas palavras por mais que se afastasse. Os dias passaram, mas a voz permanecia latejante na sua cabeça, nem a dormir tinha descanço. Estava a dar em doido! Por fim, decidiu fazer o que a voz lhe pedia. Assim, um dia levou um púcaro de leite e foi ao campo pedregoso onde vira a planta. Não teve dificuldade em encontrar a rocha, mas a planta não passava de uma tosca haste quase seca. Pensou que já seria tarde demais, mas como tinha ido até ali, deitou o leite sobre ela e foi-se embora. Mas, a partir do momento em que despejou o leite sobre a planta deixou de ouvir a voz.

No dia seguinte estava curioso com o que teria acontecido à plantinha e foi ao local. Para seu grande espanto esta estava erecta, verde e viçosa. Disse-lhe algumas palavras e a planta estremeceu, como que a responder-lhe. Continuou a falar com a planta e esta parecia reagir ao som da sua voz. Lembrando-se de todas as tarefas qe a voz lhe confiara, levou a mão ao bolso e tirou um pequeno canivete, fazendo com ele um golpe no pulso e deixou correr algum sangue para a fenda onde estava a planta. A partir desse dia não voltou a falar.

O tempo foi passando e o homem todos os dias ia falar com a planta, levava-lhe leite e por vezes oferecia-lhe um pouco do seu sangue, como lhe fora pedido. A planta foi-se desenvolvendo e transformou-se muito rapidamente numa bela árvore. Com o engrossar do tronco a fenda onde ela crescia ia-se alastrando e alargando. O homem deixou de ir ao local para satisfazer a sua curiosidade sobre a planta e passou a ir lá porque se sentia feliz a falar com a árvore e achava realmente que ela o ouvia.

Um dia, quando chegou, viu a grande pedra partida ao meio e a árvore havia desaparecido. No seu local estava uma bela mulher de longos cabelos negros que lhe falou: “ Não me procures mais, pois aqui estou, o ano passou e o encanto quebrou. Agora diz-me qual a coisa que te irá fazer mais feliz e ela será-te concedida.” O homem pensou, voltou a pensar e, por fim, respondeu-lhe: “Podia escolher ouro, rubis, prata, terras a perder de vista, ou gado sem fim, mas nada disso me faria tão feliz como fui neste ano em que só com uma planta falei. Assim, quero que o tempo volte para trás e com a minha planta quero falar.”

“Isso não te posso dar, pois do tempo não sou senhora, mas agora comigo podes falar e responder já te poderei”.

“Assim minha senhora serás, pois o tempo não volta atrás”.

Autor: IS

LENDA DA MOURA CASSIMA

06/12/2008

Esta lenda passa-se em 1149, na véspera da reconquista de Loulé aos Mouros pelo Mestre D. Paio Peres Correia
Loulé estava sob domínio dos mouros e seu governador tinha três belas filhas Zara, Lídia e Cassima que era a mais nova.

Quando D. Peres se encontrava no exterior da muralhas da cidade pronto para conquistar a cidade, o governador levou as suas filhas até uma fonte onde as encantou, com o objectivo de as preservar de um possível cativeiro. Contudo o governador nessa noite conseguiu fugir para Tânger deixando as suas filhas para trás.

Mas este não conseguia viver feliz ao pensar na pouca sorte das suas pobres filhas. Até que num certo dia apareceu em Tânger um “carregamento” de escravos vindos de Portugal onde se encontrava um homem de Loulé, que o governador não hesitou em comprar.

Já no palacete o mouro perguntou ao Carpinteiro se ele não gostaria de voltar para perto da sua família, este sem perder um segundo disse que sim. Logo o mouro pegou num alguidar cheio de água dizendo ao louletano para ele se colocar de costas para o alguidar e saltar para o outro lado, prevenindo-o que se caísse dentro da água iria-se afogar no oceano, dando-lhe 3 pães (pães esses que continham a chave para o desencantamento das mouras) diz-lhe o que fazer com eles a fim de libertar as suas lindas filhas do encantamento a que foram sujeitas. O carpinteiro salta e como num passe de mágica chega a sua casa abraçando a sua mulher, logo de seguida ele vai até um canto da casa e esconde os 3 pães dentro de um baú.

Passado algum tempo mulher descobre os pães e fica desconfiada por ele estarem escondidos, então ela pega numa faca afim de ver se há alguma coisa dentro deles, espetando a faca num de imediato ela ouve um grito e as suas mãos enchem-se de sangue vindo do interior do pão.

Na véspera de S. João (dia para o encantamento ser quebrado) o carpinteiro estava indiferente à animação pois só pensava em cumprir a promessa por ele feita ao ex-governador, logo que pode pegou nos pães e foi até fonte. Chegando a altura certa este atira o 1º pão para a fonte e grita por Zara, a mais velha das irmãs e uma figura feminina sobe no espaço e desaparece diante dos seus olhos. Logo de seguida atira o 2º e grita por Lídia volta a aparece-lhe outra bela rapariga que desaparece no ar diante dele. Por fim atira o 3º e grita pela filha mais nova do ex-governador, nada acontece, ele volta a grita por Cassima e uma jovem moura aparece-lhe agarrada ao gargalo da fonte, que lhe diz que não pode sair dali devido a curiosidade da sua esposa. Ele pede-lhe desculpa em nome da sua pobre mulher, esta diz que a perdôa e que tem uma coisa para a mulher deste pois jamais poderá sair daquela fonte e atira um cinto bordado a ouro para as mãos do carpinteiro, enquanto desaparece no interior da fonte…

No caminho o Carpinteiro para ver melhor a beleza do cinto coloca-o em redor de um troco de um grande carvalho, mas de imediato a arvore cai por terra, cortada cerce pelo cinto fantástico.

Benzendo-se e rezando o carpinteiro compreende tudo: Cassima dera-lhe o cinto apenas para se vingar! Sua mulher ficaria cortada ao meio, como o carvalho gigantesco!…

Este correu para casa abraçou a mulher e nessa noite não consegui pregar olho com medo que a moura ali aparece-se, mas isso nunca aconteceu. Tal como a moura Cassima lhe dissera não mais poderia sair da fonte. Apenas por vezes, segundo se diz – principalmente nas vésperas de S. João – ela consegue agarrar-se ao gargalo da fonte, e mostrar sua beleza, e chorar a sua dor aos que se aventuram por até lá….

Retirado do site Lendas de Portugal

LENDA – A Moura do Castelo de Tavira

15/11/2008

A noite de S. João é, desde tempos imemoriais, a noite das mouras encantadas. A tradição conta que no castelo de Tavira existe uma moura encantada que todos os anos aparece nessa noite para chorar o seu triste destino. Os mais antigos dizem que essa moura é a filha de Aben-Fabila, o governador mouro da cidade que desapareceu quando Tavira foi conquistada pelos cristãos, depois de encantar a sua filha. A intenção do mouro era voltar a reconquistar a cidade e assim resgatar a infeliz filha, mas nunca o conseguiu.

Existe uma lenda que conta a história de uma grande paixão de um cavaleiro cristão, D. Ramiro, pela moura encantada. Foi precisamente numa noite de S. João que tudo aconteceu. Quando D. Ramiro avistou a moura nas ameias do castelo, impressionou-o tanto a sua extrema beleza como a infelicidade da sua condição. Perdidamente enamorado, resolveu subir ao castelo para a desencantar. A subida através dos muros da fortaleza não se revelou tarefa fácil e demorou tanto a subir que, entretanto, amanheceu e assim passou a hora de se poder realizar o desencanto.

Diz o povo que a moura, mal rompeu a aurora, entrou em lágrimas para a nuvem que pairava por cima do castelo, enquanto D. Ramiro assistia sem nada poder fazer.

A frustração do jovem cavaleiro foi tão grande que este se empenhou com grande fúria nas batalhas contra os Mouros. Conquistou, ao que dizem, um castelo, mas ficou sem moura para amar…

Lenda retirada do site: Lendas de Portugal