Posts Tagged ‘património’

EDIFÍCIO NA BAIXA FARENSE ESTÁ A GERAR POLÉMICA

29/03/2010

A Associação de Defesa e Promoção do Património Ambiental e Cultural de Faro, “FARO 1540″, veio a público manifestar a sua discordância e o seu desagrado com os acabamentos verificados no recente prédio reconstruído na baixa da cidade de Faro, na intersecção entre a Rua de Santo António e a Rua 1º de Dezembro.

Afirma a “FARO 1540″ que não se pode aceitar que em 2010 continuem a surgir edifícios que descaracterizam a envolvência arquitectónica da baixa farense, repetindo-se os mesmos erros que foram cometidos no passado onde existia uma menor sensibilidade e conhecimento sobre a importância de preservar o traço arquitectónico da identidade e da história do nosso património. Sobretudo quando um pouco por toda a Europa se vê investimentos de avultadas importâncias na recuperação e valorização de fachadas e de edifícios antigos nas zonas mais nobres das cidades.

Neste sentido, a “FARO 1540″ apela para que o bom senso impere e sugere que sejam alteradas algumas das características deste prédio nomeadamente: a substituição da cor amarelo berrante por um tom mais suave; a colocação de cantarias ou molduras em pedra nas janelas; a adaptação destas ao traçado das janelas dos prédios contíguos; e na colocação de algumas sacadas típicas de forma a suavizar ao máximo o impacto visual e devolver ao prédio algumas das características da envolvente onde está inserido.

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QUALIDADE DE VIDA EM FARO – CONCLUSÕES

18/09/2009

A Casa do Povo de Estoi acolheu na noite de ontem, 16 de Setembro, mais um colóquio organizado pela candidatura “Faro está Primeiro”, subordinado desta vez ao tema da Qualidade de Vida. Fechando o ciclo de intervenções, o Eng.º Macário Correia elegeu cinco áreas fundamentais de actuação para a melhoria necessária dos padrões de qualidade de vida no concelho:

– Perda da capitalidade – ao contrário dos nossos adversários, que têm uma visão redutora da condição geográfica de Faro, Macário Correia defende que Faro se deve assumir como um concelho charneira no desenvolvimento de toda a Região;
Desqualificação do espaço público – é necessário resgatar alguma qualidade de vida nos bairros da cidade e nas ruas e artérias das freguesias. É preciso limpar arruamentos, acarinhar os espaços verdes e recuperar o estado dos equipamentos públicos. Numa palavra, é preciso qualificar o espaço público farense e usar de muita pedagogia para alterar os comportamentos menos cívicos de uns poucos;
Ausência de um planeamento estratégico global – Exceptuando Estoi e uma parte de Santa Bárbara de Nexe, Faro não tem o seu espaço arrumado. Abundam medidas avulsas e desgarradas, mas falta uma visão sistémica do território. É preciso acabar com “a política da courela”;
Péssima situação financeira do município – um passivo gigantesco, de quase 90 milhões de euros, não nos deixa grande margem para, num só dia, resolvermos todos os problemas das pessoas. No entanto, tem que haver recursos para responder às necessidades das populações e conseguir aumentar a qualidade de vida de quem reside, trabalha ou faz férias no nosso concelho. É um imperativo de desenvolvimento;
Falta de organização interna da autarquia – para dar uma resposta mais expedita às solicitações, é preciso limar arestas no funcionamento da Câmara. Motivar as pessoas é algo que manifestamente não tem sido bem feito nos últimos 20 anos. Por outro lado, há estruturas internas e gabinetes que se sobrepõem, o que resulta em perdas de eficácia e em desresponsabilização.

O evento contou igualmente com prelecções de conhecidos pensadores sobre o assunto como o Dr. Fernando Silva Grade, o presidente e recandidato à Junta de Freguesia de Estoi, Dr. José Paula Brito e do Arq.º Paisagista Jorge Coelho. Depois de décadas de completa descaracterização do recorte arquitectónico farense, a “beleza branca”, para Fernando Silva Grade há que mudar de paradigma: o progresso de um determinado território não pode suster-se num desenvolvimento em quantidade mas sim em qualidade. O conhecido artista plástico, que vem defendendo que Faro tem que defender com unhas e dentes o que resta do seu património arquitectónico, sob pena de perder o que resta da sua identidade, disse no final da conferência que acredita que “Macário Correia personifica a visão, a abertura de espírito e a mentalidade contemporânea” que garante um desenvolvimento qualitativo.

De realçar ainda a apresentação do arquitecto paisagista Jorge Coelho, para quem a Qualidade de Vida só estará ao alcance de Faro, se garantirmos um atento e empenhado ordenamento do território e das acessibilidades. Para este especialista é ainda necessária a qualificação da integração da cidade na envolvente, bem como uma visão mais alargada ao nível dos transportes, sugerindo a constituição de uma Entidade Regional de Transportes. De resto, essenciais são também os sistemas de mobilidade e transportes centrados na comunidade.

No final dos trabalhos, moderados pelo Eng.º Bruno Lage, houve lugar a uma animada sessão de perguntas e respostas.

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PETIÇÃO SALVEM A SÉ

30/07/2009

A Sé Catedral de Faro, valor maior do património do Algarve, foi concluída em 1271 depois da reconquista cristã. Naquele espaço, existiu originalmente um templo romano que durante a ocupação visigótica foi adaptado a igreja, a denominada Catedral de Ossónoba. No período árabe foi construído nesse local uma mesquita. Ainda existem vestígios de todas estas construções.

O edifício, cujo exterior reflecte intervenções em várias épocas, apresenta no seu interior características renascentistas e uma decoração em estilo barroco, de que sobressaem a talha dourada e o órgão. Os vários terramotos que a abalaram – nomeadamente os de 1722 e 1755 – e os efeitos do ataque das tropas inglesas do conde de Essex em 1596, obrigaram a sucessivas obras de reconstrução que foram alterando e enriquecendo a sua traça primitiva.

Recentemente o edifício foi alvo de uma intervenção de reabilitação, que suscita as maiores reservas relativamente à qualidade dos trabalhos efectuados, tais como:

– A introdução de novos elementos, de que uma cimalha de carácter dissonante acoplada ao alçado frontal é o caso mais flagrante;
– A destruição do reboco histórico e a sua substituição por argamassa inapropriada composta por cal hidráulica industrial e cimento. Esta cobertura impede a natural respiração das paredes estruturais com danos previsíveis a curto/médio prazo, devido à acumulação de humidades;
– O acabamento do novo reboco é rugoso (areado), de cunho higienista, com arestas vivas nas cimalhas e remates, em dissonância absoluta com a cobertura tradicional, de superfícies lisas/onduladas e arestas arredondadas;
– A exposição das pedras estruturais, numa lógica de improvisação estética, é, no mínimo, polémica.

Estas intervenções configuram uma situação de descaracterização profunda da originalidade e autenticidade do edifício, atributos intrínsecos e indispensáveis ao conceito de património.

A denúncia destes actos por parte de cidadãos e da Associação Almargem, culminou com a actual suspensão das obras. Foram contactados e alertados a Diocese do Algarve, o IGESPAR, a Direcção Regional de Cultura, a Câmara Municipal de Faro e o seu Departamento do Património e todos os partidos com assento na Assembleia Municipal. Toda esta situação foi noticiada em vários jornais nacionais e regionais, televisão, rádio, tertúlias e blogues de cidadania no sentido de denunciar esta grave situação. Esta acção exemplar de cidadania tem que ser levada até ao fim, no sentido de evitar que no futuro novos atentados sejam perpetrados contra o nosso já muito depauperado património histórico e arquitectónico.

A Sé Catedral de Faro, símbolo maior da nossa cidade e da região, tem que se refazer dos gravíssimos danos entretanto causados, tal como no passado foi reconstruída depois de sofrer terramotos e ataques de piratas. Daí a necessidade imperativa de se recuperar a autenticidade e harmonia da igreja com obras de correcção dos erros de que foi alvo.

Os cidadãos que assinaram esta petição até 2 de Outubro de 2009, apelam às entidades competentes para a efectiva reparação dos danos a que a Sé foi agora sujeita e também para a prevenção de acções semelhantes no futuro, quer na Sé quer no restante património de Faro. Esta petição será entregue nessa data às referidas entidades, assim como aos candidatos à Presidência da Câmara.

ASSINAR A PETIÇÃO AQUI