Posts Tagged ‘qualidade de vida’

Estado de Sono Profundo

28/01/2012

Recorrentemente é notícia na comunicação social que diversas autarquias ponderam o corte de iluminação pública em diversos pontos de seus concelhos. Uns mais audazes, alegando razões económicas, já se adiantaram nesta revolução fomentando às populações um estado de “sono profundo”, instigando assim a um “recolher obrigatório”, por um período de algumas horas. Fazendo uma análise económica, é previsível que a economia tenda a piorar, sendo obrigatório aumentar o período de “sono profundo”. Por um lado olhando para o calendário deparo-me que estamos no seculo XXI. Ora o que até á alguns anos atrás o seculo XXI era o seculo da revolução técnica/ideológica parece que afinal essas previsões estavam completamente erradas, uma vez que práticas do dia-a-dia penhoravam o futuro. Entendo que afinal o Homem que se impôs a todos os outros seres na fase da Terra, tornando-se o maior predador, agora não consegue acompanhar as mudanças impostas pelo mesmo. Temos a revolução tecnologia que permite ter uma melhor qualidade de vida mas o Homem, afinal, não tem capacidade de superar os impactos que a mesma tecnologia lhe proporcionou. Por outro lado, actuais concelhos pertencendo á zona de influência das antigas SCUTS, alegam argumentos para a não cobrança do respetivo dízimo enquanto outras alternativas não tiverem as devidas condições de segurança. Pergunto, porque será que aquando da implementação do novo estado de “sono profundo”, as mesmas não implementam outras alternativas que garantam a segurança a um estado de sono mais profundo? Não entendo e não consigo descobrir a logica de atitude deste contrassenso de posições. Talvez a única coisa que leva o homem a ter posições sem nexo seja o “guito” (denominação utilizada por toxidependentes para a palavra dinheiro). Dizem por aí que dinheiro é poder, mas parece que dinheiro afinal, é a droga que leva a um estado de dependência de poder, tendo como efeito secundário a dependência de mais poder. A cura a esta dependência ainda não foi encontrada mas também não há interesse. A patologia desta dependência leva a que o homem perca a capacidade criativa anterior á mesma, ficando reduzido á dependência por mais poder.

Afinal o apagão não é só tecnológico mas sim um apagão ideológico que começou há pelo menos uma década e se manterá por tempo indeterminado.

Anúncios

QUALIDADE DE VIDA EM FARO – CONCLUSÕES

18/09/2009

A Casa do Povo de Estoi acolheu na noite de ontem, 16 de Setembro, mais um colóquio organizado pela candidatura “Faro está Primeiro”, subordinado desta vez ao tema da Qualidade de Vida. Fechando o ciclo de intervenções, o Eng.º Macário Correia elegeu cinco áreas fundamentais de actuação para a melhoria necessária dos padrões de qualidade de vida no concelho:

– Perda da capitalidade – ao contrário dos nossos adversários, que têm uma visão redutora da condição geográfica de Faro, Macário Correia defende que Faro se deve assumir como um concelho charneira no desenvolvimento de toda a Região;
Desqualificação do espaço público – é necessário resgatar alguma qualidade de vida nos bairros da cidade e nas ruas e artérias das freguesias. É preciso limpar arruamentos, acarinhar os espaços verdes e recuperar o estado dos equipamentos públicos. Numa palavra, é preciso qualificar o espaço público farense e usar de muita pedagogia para alterar os comportamentos menos cívicos de uns poucos;
Ausência de um planeamento estratégico global – Exceptuando Estoi e uma parte de Santa Bárbara de Nexe, Faro não tem o seu espaço arrumado. Abundam medidas avulsas e desgarradas, mas falta uma visão sistémica do território. É preciso acabar com “a política da courela”;
Péssima situação financeira do município – um passivo gigantesco, de quase 90 milhões de euros, não nos deixa grande margem para, num só dia, resolvermos todos os problemas das pessoas. No entanto, tem que haver recursos para responder às necessidades das populações e conseguir aumentar a qualidade de vida de quem reside, trabalha ou faz férias no nosso concelho. É um imperativo de desenvolvimento;
Falta de organização interna da autarquia – para dar uma resposta mais expedita às solicitações, é preciso limar arestas no funcionamento da Câmara. Motivar as pessoas é algo que manifestamente não tem sido bem feito nos últimos 20 anos. Por outro lado, há estruturas internas e gabinetes que se sobrepõem, o que resulta em perdas de eficácia e em desresponsabilização.

O evento contou igualmente com prelecções de conhecidos pensadores sobre o assunto como o Dr. Fernando Silva Grade, o presidente e recandidato à Junta de Freguesia de Estoi, Dr. José Paula Brito e do Arq.º Paisagista Jorge Coelho. Depois de décadas de completa descaracterização do recorte arquitectónico farense, a “beleza branca”, para Fernando Silva Grade há que mudar de paradigma: o progresso de um determinado território não pode suster-se num desenvolvimento em quantidade mas sim em qualidade. O conhecido artista plástico, que vem defendendo que Faro tem que defender com unhas e dentes o que resta do seu património arquitectónico, sob pena de perder o que resta da sua identidade, disse no final da conferência que acredita que “Macário Correia personifica a visão, a abertura de espírito e a mentalidade contemporânea” que garante um desenvolvimento qualitativo.

De realçar ainda a apresentação do arquitecto paisagista Jorge Coelho, para quem a Qualidade de Vida só estará ao alcance de Faro, se garantirmos um atento e empenhado ordenamento do território e das acessibilidades. Para este especialista é ainda necessária a qualificação da integração da cidade na envolvente, bem como uma visão mais alargada ao nível dos transportes, sugerindo a constituição de uma Entidade Regional de Transportes. De resto, essenciais são também os sistemas de mobilidade e transportes centrados na comunidade.

No final dos trabalhos, moderados pelo Eng.º Bruno Lage, houve lugar a uma animada sessão de perguntas e respostas.

DSC04016

HPIM1657

HPIM1658

HPIM1660

HPIM1661

HPIM1659

QUALIDADE DE VIDA DISCUTIDA EM FARO

14/09/2009

Vai decorrer 4ª feira (dia 16), às 21h30, na aldeia de Estoi (casa do Povo), um colóquio/debate subordinado ao tema “Qualidade de Vida no concelho de Faro”.

O termo Qualidade de Vida, embora seja um conceito relativamente recente, é hoje em dia, amplamente referenciado em discursos e conversas informais, sendo um tema central e praticamente obrigatório em todas as análises e políticas de gestão, ordenamento e planeamento do território, em particular das cidades.

Contudo, apesar de ser um “chavão” muito aplicado, o conceito de Qualidade de Vida é complexo e engloba diversos aspectos, que se interligam, e que vão desde as questões mais materiais, ligadas à satisfação das necessidades humanas básicas, até às questões imateriais (p.e., a segurança, ambiente, cultura, a participação cívica).

Vem assistir e participar neste interessante debate que tem como um dos principais objectivos identificar as questões mais pertinentes que os farenses pretendem ver melhoradas e quais os principais problemas que anseiam ver solucionados ou minimizados.

A entrada é livre!

C O L Ó Q U I O / D E B A T E
“Qualidade de vida no Concelho de Faro”
16 Setembro – 4ª feira – 21h30
Casa do Povo de Estoi
Moderador: Eng.º Bruno Lage
Oradores : Dr. José Paula Brito,
Arq. Jorge Coelho,
Dr. Fernando Grade
Encerramento: Eng.º Macário Correia

CICLO DE CINEMA EM SETEMBRO NOS ARTISTAS

25/08/2009

Artsts_Far_1540_Set
A Associação FARO 1540 vai levar a efeito nas próximas três terças-feiras (dias 1, 8 e 15 de Setembro), na Sociedade Recreativa “Os Artistas” (Rua do Montepio, 10 – Faro), com o apoio desta Sociedade, um ciclo audiovisual com a exibição das obras:

HOME – Nosso Planeta, Nossa Casa – Dia 1 de Setembro/ 22H45
Zeitgeist the Movie – Dia 8 de Setembro/22H45
Zeitgeist Addendum – Dia 15 de Setembro/22H45

É de referir que estes dois últimos filmes foram vencedores, respectivamente, do prémio 2007 e 2008 do “Artivist Film Festival” atribuído por Hollywood na categoria de melhor película.

Os filmes/documentários Zeitgeist explicam e demonstram a falência e a ruptura do actual modelo económico/financeiro que “gere” o mundo. Para além disso apresentam provas de como os grandes grupos económicos e financeiros actuam a nível mundial para exercer directa ou indirectamente a sua influência em governos e economias mais fracas, contribuindo assim para o colapso da economia mundial e para o surgimento da inevitável crise financeira que agora atravessamos.

Como forma de combater este cenário de recessão mundial, o projecto Zeitgeist apresenta um modelo alternativo ao actual modelo económico/financeiro e explica como este funciona e pode ser implementado.

O filme HOME faz a descrição da exploração desenfreada que o Homem tem tido na gestão dos recursos do nosso Planeta sobretudo nos úlimos 50 anos e prevê os cenários se nada for feito para inverter esta tendência e qual a tecnologia que se encontra já disponivel para inverter essa situação.

A entrada é livre e os filmes são legendados em português!

QUALIDADE DE VIDA EM FARO

17/12/2008

Apesar de ser um conceito relativamente recente, a expressão “qualidade de vida” é um chavão, actualmente, usado e aplicado com bastante regularidade no nosso quotidiano e em quase todas as análises e discussões de políticas de ordenamento e planeamento do território.

 

Contudo, apesar de ser abundantemente aplicado, o conceito de qualidade de vida é de difícil descrição, uma vez que é um conceito abrangente e no qual se interligam diversas abordagens e diversas problemáticas.

 

Nos anos 70/80, a qualidade de vida era analisada por aspectos essencialmente economicistas, prevalecendo sobretudo os indicadores de crescimento económico, negligenciando ou remetendo para segundo plano aspectos fundamentais que permitissem analisar com rigor e veracidade o desenvolvimento de uma sociedade.

 

Actualmente a análise da Qualidade de Vida já não se fica só pelos indicadores de crescimento económico e vai mais longe, assentando em 3 pilares basilares. Contudo, para se efectuar uma correcta análise, estes 3 pilares não podem ser vistos como peças individuais rígidas, mas terão sim, de ser vistos com flexibilidade e como um cruzamento e uma interligação entre os três.

 

O primeiro pilar tem a ver com a distinção entre os aspectos materiais e imateriais da qualidade de vida. Os aspectos materiais estão fundamentalmente relacionados com as necessidades humanas básicas, como por exemplo, as condições de habitação, acesso a água e esgotos, acesso a cuidados de saúde, ou seja, aspectos ligados a infra-estruturas. As questões imateriais estão sobretudo relacionadas com o ambiente, com o património cultural, com a segurança, com a participação cívica, com o bem-estar e ganham mais relevo quanto mais é desenvolvida uma sociedade ou cidade. Já as questões materiais são preponderantes em sociedades ou cidades menos desenvolvidas.

 

O segundo pilar, faz a distinção entre aspectos individuais e colectivos. Os aspectos individuais estão mais relacionados com as características sociais, económicas, familiares e pessoais dos indivíduos. Já os aspectos colectivos estão sobretudo relacionados com os serviços básicos e os serviços públicos.

 

Por fim, o terceiro pilar faz a distinção entre aspectos objectivos e aspectos subjectivos. Os aspectos objectivos estão relacionados com os indicadores de natureza quantitativa. Por sua vez, os aspectos subjectivos são direccionados para a sensibilidade subjectiva que os indivíduos têm da qualidade de vida e que é, claramente, de acordo com um estudo da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, elaborado por Santos e Martins (2002), sobre Qualidade de Vida Urbana, muito diferente de pessoa para pessoa, e de estrato social para estrato social. Este último aspecto é de fundamental importância: os indicadores de qualidade de vida têm diferentes traduções, consoante a estrutura socio-económica da população e, portanto, o mesmo indicador pode ser percepcionado de forma diferente por estratos socio-económicos diferentes.

 

Ainda segundo o estudo elaborado por Santos e Martins (2002), importa ainda referir duas outras questões fundamentais que devem ser equacionadas quando se analisa a qualidade de vida e quando se quer definir um conjunto de indicadores de qualidade de vida. A primeira, tem a ver com o facto de as necessidades dos indivíduos estarem intimamente relacionadas com o contexto social, político e cultural em que vivem. Há, portanto uma variação significativa dessas mesmas necessidades, tanto ao longo do tempo (as necessidades de Portugal de hoje não são, obviamente, as mesmas de há 20 anos ou 30 anos atrás) como também ao longo do espaço.

 

A segunda, de acordo com a mesma fonte, está relacionada com a caracterização de um espaço em termos de bens e serviços existentes: a qualidade de vida é medida não só em função da existência desses recursos, mas também, da sua acessibilidade e facilidade de utilização. Directamente relacionado com este último aspecto, coloca-se também a questão do nível de satisfação da população utilizadora desses mesmos bens e serviços, o que será central na análise mais subjectiva da percepção da qualidade de vida.

 

Mais recentemente, a problemática em torno do conceito “Qualidade de Vida” tem ganho um grande interesse e uma grande relevância no ambiente urbano e citadino, talvez devido ao facto desta se relacionar directamente com as principais questões que marcam a sociedade urbana moderna.

 

Este protagonismo, tem sido alimentado e reforçado por uma pressão crescente por parte dos munícipes que graças ao aumento do seu conceito de cidadania se tornam naturalmente mais exigentes e críticos com a sua cidade e com as condições que esta oferece. Contudo, também não é de negligenciar a competição que se tem vindo a estabelecer cada vez com mais afinco, entre centros urbanos para a atracção de recursos humanos altamente qualificados e de investimentos que representam uma mais valia para o município.

 

Faro é uma cidade que tem um enorme potencial para apresentar um nível de qualidade de vida excepcional, fruto de um vasto número de indicadores naturais de grande relevância para a análise deste conceito. Contudo, Faro, também é possuidora de péssimos indicadores (acessibilidades, ausência de espaços verdes, limpeza, desordenamento) , que conseguem deitar por terra qualquer ambição em apresentar Faro como uma cidade com uma boa qualidade de vida.

 

Faro, como capital de distrito, não pode negligenciar o conceito “Qualidade de Vida”, altamente importante para a sua estratégia de desenvolvimento económico e de planeamento urbanístico.

 

Neste sentido, Faro precisa urgentemente de fomentar politicas concretas que visem o desenvolvimento de um modelo de análise de qualidade de vida e actuar nos indicadores que neste momento são menos favoráveis para a obtenção de um nível de excelência na escala da qualidade de vida.

 

Porque Faro merece!

O EFEITO DONUT EM FARO

19/11/2008

 

O efeito Donut, ou se preferirmos o esvaziamento dos centros urbanos, está neste momento a tornar-se uma realidade em Faro.

 

É já comum depararmo-nos com inúmeras casas fechadas, emparedadas e num estado de degradação acentuado, onde por vezes, se assiste derrocadas de maior ou menor gravidade.faro_degradado

 

Este fenómeno tem aumentado sobretudo nas últimas duas décadas, fruto das profundas alterações a que a sociedade portuguesa tem sido sujeita ao nível económico, social e cultural, tendo surtido numa forte transformação no parque habitacional português.

 

De referir que as cidades têm vindo a assumir um papel determinante, enquanto centros de decisão política, cultural e económica o que efectivamente condicionou as formas de habitação e onde Faro, não é excepção. Nesta cidade tem-se verificado um ritmo de construção e uma especulação imobiliária superior à média do território nacional.

 

Em consequência deste fenómeno temos a franja mais jovem da sociedade (jovens famílias) a fixarem-se na periferia onde os preços são mais acessíveis, enquanto se assiste ao envelhecimento e à desertificação do centro urbano. Como consequência, vê-se o comércio na baixa da cidade a definhar, as ruas com falta de vida e alegria, as habitações a degradarem-se e o sentimento de insegurança a aumentar.

 

casa_degradada2Para inverter esta tendência é urgente levar para os centros urbanos equipamentos e infra-estruturas que “chamem” pessoas ao centro e promover a recuperação e o arrendamento dos imóveis fechados. Porque não apostar em residências universitárias em alguns edifícios do centro da nossa cidade e que neste momento se encontram em estados de degradação avançados? Como é óbvio também não se pode negligenciar a politica de transportes colectivos e áreas de estacionamento.

 

Sobre o arrendamento há que efectivar, com urgência, politicas que visem incentivos aos senhorios e à reabilitação urbana de forma a que estes se sintam motivados a colocarem os seus imóveis no mercado de arrendamento e que parte desses imóveis se destinem aos jovens, com a aplicação de rendas controladas.

É insustentável continuar a viver em cidades completamente degradadas, sem vida e será uma política suicida continuar a “empurrar” os nossos jovens para fora dos centros urbanos. Não promover políticas que invertam esta situação será conduzir a cidade à decadência e à morte pelo seu interior.